Educacao Especial E Necessidades Educativas Especiais Education Essay

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Sou professora de Educa Especial e desde sempre senti que as TIC podem ter um papel muito relevante nos processos de ensino e aprendizagem dos alunos em geral e dos alunos com necessidades educativas especiais em particular.


E porquê dos alunos com necessidades educativas especiais em particular? Sendo muito destes alunos portadores de deficiências que lhe diminuem determinadas capacidades e os colocam em desvantagem perante os seus pares, as TIC são um contributo essencial para a inclusão destes alunos e um instrumento promotor do seu sucesso educativo.


É sobre a importância da TIC no desenvolvimento de competências dos alunos com necessidades educativas especiais que pretendo reflectir neste trabalho.


Pertinência do Tema

Segundo o (World Wide Web Consortium), existem, em todo o mundo, mais de 750 milhões de pessoas com incapacidade .


Em Portugal, 9.16% da população tem deficiência, o que corresponde, segundo o Inquérito Nacional às Incapacidades, Deficiência e Desvantagem do Secretariado Nacional de Reabilitação (realizado a 905.488 pessoas).


Importa ainda reter que 61.60% dos sujeitos com incapacidades de comunicação (leitura, escrita, simbólica, visual) não possui qualquer tipo de instrução.


Estes números são reveladores da emergência de criação de novas formas de reabilitação destas deficiências, possibilitando o contornar das referidas incapacidades e a diminuição dos níveis de desvantagem que estes sujeitos apresentam. (Departamento de Educação Básica do Ministério da Educação)


A motivação mais importante e principal razão deste trabalho foi a de dar um contributo para tornar a experiência educativa dos meus alunos num caminho cada vez mais desafiador e exigente: que possa gerar a necessidade de aprender mais, faça a diferença no sucesso do seu desempenho, no desenvolvimento da sua autonomia, na compreensão do mundo e sua intervenção nele, no sentido crítico, na sua capacidade de formulação e resolução de problemas.


Para que este propósito tenha êxito é preciso aperfeiçoar de forma continuada e sistematizada as competências profissionais docentes, organizar ideias e recursos de forma mais metódica, que permitam uma intervenção mais eficaz junto dos alunos, procurando recorrer da melhor forma às novas tecnologias e ferramentas colocadas à disposição, enquanto agentes de transformação e mudança das estratégias de abordagem do currículo.


Sou professora de Educação Especial, com formação inicial de 1º ciclo. Há alguns anos lecciono na escola EB 2,3 + S, única no Concelho. É um concelho rural, situado no extremo norte da região do Médio Tejo, na margem direita do Zêzere, no distrito de Santarém, sendo um concelho muito marcado pela interioridade.


O envelhecimento da população no concelho tem vindo a acentuar-se seguindo a tendência nacional das alterações demográficas - envelhecimento e regressão. Segundo o “Médio Tejo em Números” Ferreira do Zêzere apresenta uma taxa de analfabetismo de 16,4% aparecendo assim em 2º lugar na tabela da Comunidade Urbana do Médio Tejo.


A população escolar é oriunda do concelho e de algumas localidades do concelho de Tomar que ficam mais perto do Agrupamento de Escolas. A maior parte dos alunos vive fora da Vila tendo grandes dificuldades de acessos tento a nível de transportes como a quaisquer outros meios de difusão cultural para além da televisão, possui uma cultura própria ligada à vida rural e ao trabalho (em particular a construção civil) o que, a distância da cultura livresca que a Escola lhes pretende transmitir, criando em muitos casos, situações de ruptura graves. Oriundos na sua maioria de famílias de fracos recursos sócio económicos, uma percentagem significativa de famílias monoparentais, em que problemas relacionados com o alcoolismo e violência doméstica são frequentes.


Neste contexto, as expectativas de futuro profissional dos alunos são normalmente baixas: poucos desejam seguir estudos superiores (realidade que lhes é completamente estranha) e a ambição principal para os rapazes é a construção civil e para as raparigas um emprego indiferenciado na função pública ou uma profissão que não requeira grande especialização.


Este ano dou apoio a 12 alunos com Necessidades Educativas Especiais, 8 beneficiam de Currículo Específico Individual e frequentam o 3º ciclo. Todos e devido à legislação em vigor, além do Currículo Específico usufruem de Plano Individual de Transição.


Educação Especial e Necessidades Educativas Especiais

A Educação Especial tem por objectivo inclusão educativa e social, o acesso e o sucesso educativo, a autonomia, a estabilidade emocional, assim como a promoção de igualdade de oportunidades, a preparação para o prosseguimento de estudos ou para uma adequada preparação para a vida profissional e para uma transição da escola para o emprego de crianças e jovens com necessidades educativas especiais de carácter permanente.


A Educação Especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta forma, a educação deve-se desenvolver de forma especial, numa tentativa de atender às diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo.


A Educação Especial é uma educação organizada para atender específica e exclusivamente alunos com determinadas necessidades especiais. O sistema regular de ensino precisa ser adaptado e pedagogicamente transformado para atender de forma inclusiva.


Legislação

O Decreto-Lei n.º 3/2008 vem enquadrar as respostas educativas ou os apoios especializados a desenvolver no sentido da adequação do processo educativo às necessidades educativas especiais dos alunos com limitações significativas ao nível da actividade e participação, num ou vários domínios da vida, decorrentes de alterações funcionais e estruturais de carácter permanente e das quais resultam dificuldades continuadas a nível da comunicação, da aprendizagem, da mobilidade, de autonomia, do relacionamento interpessoal e da participação social.


Diz o artigo 16º do referido decreto que “ a adequação do processo de ensino e de aprendizagem integra medidas educativas que visam promover a aprendizagem e a participação dos alunos com necessidades especiais de carácter permanente.” Refere ainda o mesmo artigo no seu ponto 2, que “constituem medidas educativas … a) Apoio Pedagógico Personalizado; b) Adequações Curriculares Individuais, c) Adequações no Processo de Matrícula, d) Adequações no processo de Avaliação, e) Currículo Específico Individual e f) Tecnologias de Apoio.


A adequação ao processo de ensino e de aprendizagem tem por objectivo facilitar o acesso ao currículo, à participação social e à vida autónoma das crianças e jovens com necessidades educativas de carácter permanente. A adequação do processo de ensino e de aprendizagem pressupõe uma abordagem assente nos princípios da diferenciação e da flexibilização ao nível do currículo. Áreas curriculares e disciplinas; Objectivos e competências; Conteúdos; Metodologias; Modalidades de avaliação, bem como dos elementos de acesso ao currículo como sejam, a organização e gestão do espaço, do tempo, dos recursos humanos, materiais e financeiros. “ Todas as modificações a introduzir no processo de ensino e aprendizagem devem partir dum menor para um maior afastamento do currículo comum.” (Educação Especial - Manual de apoio à prática. 2008, p. 33)


Artigo 21º, do Decreto-lei 3/2008.


O Currículo Específico Individual é a medida educativa mais gravosa, a mais limitativa no caso de prossecução de estudos. Os alunos com esta medida, artigo 21º, do Decreto-lei 3/08, não estão sujeitos ao processo de avaliação e de transição de ano escolar característico do regime educativo comum. É o nível de funcionalidade do aluno que vai determinar o tipo de modificações e alterações a realizar no currículo. Estas devem corresponder às necessidades mais específicas do aluno. Este tipo de currículo assenta numa perspectiva mais funcional, tem por objectivo facilitar o desenvolvimento de competências pessoais e sociais e a autonomia do aluno, para poder participar em todos os contextos de vida.


O objectivo do Currículo Específico Individual é o de preparem os jovens para serem integrados na sociedade, por isso, pretende-se que estes currículos:

  • tenham um cariz funcional, as actividades propostas têm que ser úteis para a vida presente e futura do aluno;

  • a selecção das competências a desenvolver deve ter como critério a sua aplicabilidade nos diferentes contextos de vida do aluno;

  • a aprendizagem das competências definidas deve ser, sempre que possível, realizada nos contextos reais por forma a dar-lhe significado;

  • as actividades devem estar relacionadas, na medida do possível, com a idade cronológica e com os interesses do aluno.

Assim o Currículo Específico Individual substitui as competências definidas para cada nível de educação e de ensino. Este currículo prevê alterações significativas no currículo comum. O currículo deverá conter, detalhadamente: O que o aluno vai aprender; Com quem vai aprender; Como vai aprender; Onde vai aprender; Como vai ser avaliado;


Artigo n.º 14, do Decreto-lei 3/2008.


Plano Individual de Transição, este plano tem a intenção de promover a transição para a vida pós-escolar e, sempre que possível, para o exercício de uma actividade profissional, tendo como objectivo geral promover a capacitação e a aquisição de competências sociais necessárias à inserção familiar e comunitária.


Artigo 22º, do Decreto-lei 3/08


As tecnologias de apoio são o conjunto de dispositivos e equipamentos que têm por objectivo compensar uma limitação funcional e facilitar um modo de vida independente, sendo por isso elementos facilitadores do desempenho de actividades e da participação dos alunos com necessidades educativas especiais em diferentes domínios (aprendizagem, vida social e profissional).


As tecnologias de apoio podem ser utilizadas em diferentes áreas tais como: desenvolvimento cognitivo; cuidados pessoais e de higiene; mobilidade; adaptações para mobiliário e espaço físico; comunicação; socialização, pré-laboral; recreação e lazer.


A legislação em vigor, no caso dos alunos com Currículo Específico Individual através do Decreto-lei 3/08, e o Decreto-lei 6/01 (Organização e Gestão do currículo no Ensino Básico) para todos os outros alunos, dá alguma “liberdade” ao professor para “construir” o currículo. Muitas vezes os professores não operacionalizam o currículo de acordo com as intenções nele expresso, apenas o ajustam, sem alterarem as suas práticas.


Mudando a sociedade de forma profunda, o que acontecerá à Escola se não fizer o esforço de acompanhar essa evolução de forma ajustada aos novos contextos? O que acontecerá se persistir em organizar o saber num currículo por vezes excessivamente disciplinarizado e compartimentado, onde a gestão do espaço e do tempo de acordo com um modelo fabril continua a perpetuar-se numa sociedade que parece necessitar urgentemente de outras soluções?


A avaliar então pelo discurso mundial, baseado em muitos relatórios Nacionais e Estrangeiros e pelo senso comum sobre a educação, os resultados das (muitas) reformas impostas de fora da Escola para o seu interior não parecem ter produzido resultados significativos.


Já em 1933, Agostinho Campos, citado por Nóvoa, escrevia estas palavras: “De quando em quando, ouve-se dizer por aí muito a sério e em tom de profundo convencimento: Precisamos de uma reforma geral do ensino... Melhor seria dizer, logo de uma vez: faz-nos falta um milagre de Nossa Senhora de Fátima”. (Nóvoa. 2005, p. 121)


Também Steiner, afirma que “a panóplia da legislação sobre o ensino, dos planos de reforma, das audições federais sobre a crise das escolas, conhece proporções descomunais”, considerando um “desperdício” oficial todas as árvores consumidas para suportar as intenções reformistas (Steiner. 2008, p. 218).


Terá talvez chegado o tempo da Escola reagir a partir do seu interior, precisando de encontrar o conhecimento válido para fundamentar decisões que evidenciem resultados positivos e combater com argumentos sólidos as imposições externas, que reconheça como prejudiciais a esse processo de crescimento e aprendizagem.


Bolívar, em 2006, afirma “ Desvanecidos outros referentes, persiste o problema de determinar qual o modo de ‘mover' as escolas e os professores para oferecerem uma melhor educação.” (Bolívar. 2006, p. 46)


Será importante nesse processo começar por se reflectir sobre a necessidade “de compreender os interesses e as necessidades das crianças, permitindo assim uma ‘educação funcional' ou, melhor dizendo, uma ‘Escola por medida'” (Nóvoa. 2005, p. 95)


AS Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)

A evolução das tecnologias permite cada vez mais a integração de crianças com necessidades especiais nas nossas escolas, facilitando todo o seu processo educacional e visando a sua formação integral.


Como uma das respostas a estas necessidades surge a utilização da tecnologia, com o desenvolvimento da Informática veio a se abrir um novo mundo recheado de possibilidades comunicativas e de acesso à informação, manifestando-se como um auxílio a pessoas. No fundo, surge como uma resposta fundamental à inclusão de crianças com necessidades educativas especiais num ambiente educativo, segundo o art. 22º, do Dec-Lei 3/08.


A tecnologia deve ser encarada como um elemento cognitivo capaz de facilitar a estruturação de um trabalho viabilizando a descoberta, garantindo condições propícias para a construção do conhecimento. Na verdade são inúmeras as vantagens que advêm do uso das tecnologias no campo do ensino - aprendizagem no que diz respeito a crianças especiais.


Assim, o uso da tecnologia pode despertar em crianças especiais um interesse e a motivação pela descoberta do conhecimento tendo em base as suas necessidades e interesses. A deficiência deve ser encarada não como uma impossibilidade mas como uma força, onde o uso das tecnologias desempenha um papel significativo. O uso das tecnologias no campo do ensino e aprendizagem traz inúmeras vantagens no que respeita aos alunos com necessidades especiais, permitindo:

  • Alargar horizontes levando o mundo para dentro da sala de aula;

  • Aprender fazendo;

  • Melhorar capacidades intelectuais tais como a criatividade e a eficácia;

  • Permitir que um professor ensine simultaneamente em mais de um local;

  • Permitir vários ritmos de aprendizagem numa mesma turma;

  • Motivar o aluno a aprender continuamente, pois utiliza um meio com que ele se identifica;

  • Proporcionar ao aluno os conhecimentos tecnológicos necessários para ocupar o seu lugar no mundo do trabalho;

  • Permitir a educação colaborativa e cooperativa;

  • Estabelecer a ponte entre a comunidade e a sala de aula.

Diz Veenema, em 1996 que com as novas tecnologias de informação e comunicação abre-se o leque de oportunidades para os sujeitos cujos padrões de aprendizagem não segue os quadros típicos de desenvolvimento, nomeadamente pelo recurso a ambientes de aprendizagem mais ricos, contextualizados e adaptados às necessidades específicas de cada um.


As novas tecnologias permitem que os cidadãos com necessidades especiais, nomeadamente as crianças com necessidades educativas especiais, possam ultrapassar dificuldades ou desvantagens que apresentem expandindo as suas capacidades cognitivas através de sistemas que explorem as oportunidades oferecidas pelas TICs.


Sabe-se hoje, através da investigação do funcionamento do cérebro, que os ambientes enriquecidos permitem um desenvolvimento cerebral maior e que o cérebro desenvolvido a tempo é o que cresce de forma mais rápida e está mais preparado para a mudança, verificando-se o inverso (adelgaçamento do córtex, mais significativo do que o efeito espessante de um ambiente enriquecido e positivo) em ambientes pouco estimulantes que geram apatia e aborrecimento (Jensen. 2002)


Estando os alunos “condenados” a passar grande parte dos seus dias na Escola, os educadores (e os gestores da educação) têm uma responsabilidade ética e moral importante no desenvolvimento ou limitação do potencial de cada ser humano no seu percurso escolar (Jensen. 2002).


Segundo Tileston, se as salas de aula apenas tiverem para lhes oferecer formas limitadas e reduzidas de trabalhar o conhecimento, não é de admirar que os seus cérebros se desliguem das tarefas com muita frequência (Tileston. 2005).


“Pode-se levar uma criança a Euclides mas não se pode obrigá-la a pensar” (Papert 1996, p. 223).


Pennac, em 2000, diz que há verbos que não suportam a forma imperativa - amar, sonhar e ler são alguns deles Pensar, compreender, aprender são também bons exemplos de verbos associados a acções que não se cumprem apenas ao som de uma qualquer ordem ou desejo exteriores. Mas talvez as novas tecnologias que nos rodeia possam ajudar indirectamente, se bem aplicadas, a chegar lá onde a voz do professor nem sempre consegue. As tecnologias da informação e comunicação podem ser “amigas do cérebro” e existem razões para tal: não estão limitadas pelas paredes da sala de aula, não conhecem nem se preocupam com o estatuto socioeconómico do aluno, proporcionam oportunidades iguais de aprendizagem, estão mais sintonizadas com a forma como os nossos alunos hoje aprendem, são parte tão indispensável do nosso mundo que limitar o seu uso na sala de aula é limitar as capacidades dos nossos alunos para competirem nesse mesmo mundo. (Tileston. 2005)


É a consciência desta responsabilidade pessoal no processo educativo dos meus alunos e no desenvolvimento do seu potencial cognitivo, humano e social, que me faz questionar “Como combinar, na Escola, formas de agir e recursos tecnológicos, nomeadamente as tecnologias da informação e comunicação (TIC), para favorecer a recuperação gradual da necessidade de aprender e caminhar no sentido de uma formação mais exigente em contexto formal de aprendizagem, que permita o desenvolvimento de competências que os ajudem a aprender mais coisas ao nível dos saberes disciplinares e não-disciplinares, mas também ao nível das atitudes, dos valores, dos requisitos relacionais e críticos necessários à participação social e laboral.”


Para isso é importante explorar de que forma os ambientes virtuais se podem assumir como “próteses” de ambientes cognitivos reais. A investigação em torno deste tema leva-nos a equacionar a possibilidade das aplicações de aprendizagem cooperativa em rede se revelarem instrumentos de valorização das capacidades cognitivas dos sujeitos aprendentes pelo favorecimento aptidões de independência, autonomia e construção de conhecimento e pelo benefício de diálogos e conversações e de dinâmicas de interacção de construção conjunta. (Santarosa, 1999)


Explora-se, pois, o paradigma construtivista e pós construtivista (de Piaget e Vygotsky). Este paradigma, de base teórica profundamente heurística, vem contrapor-se ao Behaviorista que favorece o ensino (enquanto que o primeiro favorece a aprendizagem) e ocorre em ambientes fechados (já o construtivismo favorece aprendizagens em ambientes abertos).


A abordagem construtivista baseia-se na premissa de que a aprendizagem é um resultado de construções mentais cognitivas, ou seja, cada estudante constrói a sua aprendizagem encaixando as novas informações em estruturas que já adquiriu. Assume-se a importância dos contextos culturais e comportamentais de cada um no processo, assim como da dialéctica local-global, da autonomia e, simultaneamente, da partilha. O construtivismo defende ainda a exploração da memória visual/espacial (experimentação e manipulação de ambientes) como despoletadores dos processos de compreensão.


Segundo Piaget, “as relações entre o sujeito e o seu meio consistem numa interacção radical, de modo tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos objectos nem pelo da actividade do sujeito, mas por um estado indiferenciado; e é desse estado que derivam dois movimentos complementares, um de incorporação das coisas ao sujeito, o outro de acomodação às próprias coisas” (Piaget. 1959, p. 386)


Sobre a questão do novo, Piaget diz que “ a organização de que a actividade assimiladora é testemunha, é essencialmente, construção e, assim, é de facto invenção desde o princípio” (Piaget. 1959, p. 389). A novidade ocorre da própria natureza do processo de desenvolvimento do conhecimento humano. Construtivismo é a forma de conceber o conhecimento: sua génese e o seu desenvolvimento, um novo modo de ver o universo, a vida e o mundo das relações sociais.


Sendo assim, o movimento do processo de construção do conhecimento deve impregnar a sala de aula, em particular, e o sistema educativo, em geral. O compromisso da escola deve ser o de construir de novo, superando o arcaico, e não o de repetir, o antigo.


São animadoras as conclusões do “Report n the Effectiveness of Technology in Schools; 1970-97”, Segundo Fino (2004)

  • “O uso de tecnologias educativas demonstra ter um significado efeito positivo sobre o sucesso dos alunos. Esse efeito positivo é vivível desde a educação pré-escolar à universidade, quer em alunos comuns, quer em alunos que requerem atenções especiais.”

  • “A tecnologia educativa tem efeitos positivos nas atitudes dos alunos em relação à aprendizagem e no seu auto-conceito. A sua utilização leva-os a sentir maior sucesso na escola, maior motivação para aprenderem. Cresce também a sua auto-confiança e a sua auto-estima quando utilizam computadores.”

Conclusão

O facto de se treinarem professores em acções de formação à pressão e de se colocarem nas escolas equipamentos informáticos, isto não significa que as novas tecnologias sejam usadas para a melhoria da qualidade de ensino ou o sucesso educativo dos nossos alunos.


A grande maioria dos professores usa o computador para realizar uma tarefa que poderia ser realizado por outra ferramenta, retroprojector, quadro, gravador, voz. Esta forma de usar as novas tecnologias puramente tecnológica, não altera qualitativamente nada na escola. Neves considera esta forma de utilizar as novas tecnologias de “inovação conservadora”. (Neves, 1994, p. )


Hoje, a inovação conservadora mais interessante é o Power Point. Utilizada consecutivamente nas apresentações dos nossos alunos, por nós enquanto leccionamos e em reuniões, nas formações que vamos fazendo. O espectáculo visual e auditivo pode tornar-se um elemento de divagação. A inactividade do “aluno” é reforçada pelo ambiente, geralmente à média luz e com temperatura agradável. Muitas vezes estas tecnologias apenas amplificam a capacidade expositiva do professor.


Vários autores reconhecem que os usos educativos das tecnologias da informação na última década, foram embaídos em métodos pedagógicos tradicionais.


A sociedade actual é, por excelência, a sociedade da informação e das tecnologias, estando estas presentes nos vários domínios da nossa vida. Cada vez mais elas se encontram ligadas à educação, cabendo a nós, educadores, tentar fazer o melhor uso possível das mesmas. Se as novas tecnologias são uma ferramenta de trabalho importantíssima na sala de aula regular, serão ainda mais preciosas no que diz respeito ao ensino especial. A presença da tecnologia na escola, mesmo com bons software, não estimula os professores a repensarem os seus modos de ensinar nem os alunos a adoptarem novos modos de aprender. Professores e alunos precisam de aprender a tirar vantagens das novas ferramentas. Um potente Ferrari não transforma um homem num piloto Fórmula 1, mas um bom piloto com esse Ferrari pode ser campeão do Mundo.


REFERÊNCIAS

Bolivar, A. (2006). Um olhar actual sobre a mudança educativa: onde situar os esforços de melhoria? In: LEITE, C. & LOPES, A. (orgs) Educação, currículo e formação de identidades. Porto: Edições ASA.


Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular Educação Especial - Manual de Apoio à Prática (2008).


Fino, C. e Sousa, J. M. (2003). As TIC redesenhando as fronteiras do Currículo. In: Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educacion, N.º 8 (Vol. 10), Ano 7, 2003, pp. 2051-2063. Disponível em:http://www3.uma.pt/carlosfino/Documentos/TIc_redesenhando_fronteiras_curriculo.pdf


Fino, C. (2001). Um novo paradigma (para a escola): precisa-se. In: FORUMa - Jornal do Grupo de Estudos Clássicos da Universidade da Madeira, 1, 2, 2001. Disponível em: http://www3.uma.pt/carlosfino/Documentos/novo_paradigma_escola.pdf


Iniciativa Nacional para os Cidadãos com Necessidades Especiais, Documento de Trabalho (versão 1.0), Ministério da Ciência e Tecnologia e Missão Para a Sociedade da Informação (1998).O mail do Fino é - cfino@uma.pt


Estas são as minhas referências: Fino, C. (2004). Convergência entre a teoria de Vygotsky e o construtivismo/ construcionismo. Disponível em:http://www3.uma.pt/carlosfino/Documentos/Draft_Convergencia_Vygotsky_construtivismo_construcionismo.pdf


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