Paulo Cesar de Barros Ribeiro 14

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Paulo Cesar de Barros Ribeiro, aluno no. 903480, turma no. 14

Etimologicamente etnologia, designa o estudo das etnias (etno ? etnia, logia ? estudo), foi utilizado dado que o objecto de estudo, se direccionava para o estudo das etnias e diferencas culturais entre povos, no inicio do sec. XIX o significado ja era outro, considerava o conjunto das ciencias Sociais que estudavam as sociedades primitivas e o homem fossil. Designou-se inicialmente e durante bastante tempo, em Franca, a palavra antropologia, somente o ramo da antropologia fisica, a aplicabilidade da palavra ethnologie, tinha um conteudo identico ao da antropologia social anglo-saxonica, as perspectivas eram as mesmas no entanto as designacoes eram diferentes. Este termo tem sofrido uma redefinicao, atribuindo a etnologia uma etapa de estudo - a etapa etnologica, onde se concentram os estudos locais monograficos ou tematicos sobre determinado grupo restrito ou sociedade, nao pretendendo a universalidade ou emitir leis gerais como a antropologia cultural e social, antecedendo a antropologia social, assim com o passar do tempo e nos ultimos anos, o uso da palavra ethnologie foi substituida por antropologie sociale. Os alemaes, como referi anteriormente, deram o mesmo significado geral que os franceses, ao termo etnologia, mas a utilizavam-na (Volkerkunde) para classificar os seus ensinos universitarios. Na Gra-Bretanha e nos Estados Unidos, o termo antropologia social, apareceu muito cedo, conjecturando a vertente social e cultural, existindo uma dissemelhanca, entre britanicos e americanos. Os britanicos, assim como os franceses, referem-se a compreensao dos fenomenos sociais, ja os americanos, evidenciam o lado cultural desses fenomenos. E de referir que foram os anglo-saxonicos que efectuaram a distincao entre etnologia e antropologia, para eles, a etnologia preocupava-se com questoes de difusao e de origem de fenomenos culturais, historicas, no entanto a antropologia social, introduziu as nocoes de funcao de sistema de relacoes sociais e a nocao de estrutura social, procurando aceder ao funcionamento social e cultural.

Levi-Strauss considera que"todos os homens independentemente de serem indigenas ou ocidentais sao iguais, o que os diferencia e a cultura que apreende e a sociedade em que se inserem", A etnografia corresponde "aos primeiros estagios da pesquisa: observacao e descricao, trabalho de campo", que consiste na observacao e na analise de grupos humanos objectos de estudo mas seleccionados na sua particularidade. A etnologia, com relacao a etnografia, seria "um primeiro passo em direccao a sintese", isto e, utiliza de forma comparativa os documentos elaborados pelo etnografo e o estudo detalhado de um lugar na cultura global de grupo que os pratica. Levi-Strauss (1970:377). A antropologia social consiste no fim do estudo da sociedade sob a forma de um conjunto social significativo que serve de partida para uma abordagem das sociedades humanas, ja a antropologia cultural, consiste nas tecnicas, materiais ou intelectuais consoante o modo de vida, crencas, as atitudes para chegar a uma especie de super tecnica que e a actividade social e politica. Segundo Levi-Strauss, num coloquio em Chicago no fim dos anos quarenta comparou a questao social e cultura a "uma folha de papel quimico, ou seja o verso da folha serve para escrever enquanto o reverso destina-se a reproduzir o que esta escrito no verso, os dois lados sao inseparaveis, se quisermos conservar a condicao do papel quimico", segundo o mesmo autor, acontece o mesmo com o social e o cultural "sao dimensoes inseparaveis da actividade humana", contudo, na pratica, existem abordagens que privilegiam mais a dimensao social e outras a cultura, porem, ao privilegiar-se o lado social nao indica, obviamente, que desapareca a dimensao cultural do fenomeno. Assim como nao desaparece a dimensao social ao privilegiarem-se os aspectos culturais, dado ser precisamente o social que na base da manifestacao cultural. Tanto e assim que ficou alias acordado, durante o referido coloquio, que a disciplina deveria designar-se presencialmente por antropologia social e cultural, a fim de contemplar explicitamente os diferentes aspectos da complexidade dos fenomenos de sociedade.

Desde o aparecimento da etnologia, como ciencia, constataram-se inumeras mutacoes durante o sec. XX, a primeira, recai sobre a invencao da etnologia, sobre as suas actuacoes no terreno, permitindo reconstruir o Outro a partir do seu interior, esta ideia, e completamente fora da linha do contexto, dado que O Outro nao e unicamente efeito de procuracao, justificativa de uma historia universal e Ocidental-Centrica. A segunda mudanca recai sobre a aculturacao e a transformacao social, assim sendo, a tradicao segue-se a modernidade, perdendo desta forma a sua identidade separada. Uma serie de acontecimentos historicos, de evolucao de mentalidades e sociedades, explicam a modernizacao da etnologia folclorica ou de tradicoes populares. A generalizacao da antropologia, possibilita desta forma o estudo da sociedade, em que o Outro e um primitivo exotico, o nosso concidadao e o conjunto dos Outros produzidos pela sociedade. Com todas estas mudancas no objecto e conceito de estudo da etnologia, esta subordina-se a diversas adaptacoes. Tornando-se assim, o Outro, ele proprio, podendo o etnologo impor, unicamente a divergente hierarquizacao dos Objectos. O elo social e a representacao simbolica, dao relevancia ao actor humano, individual, colectivo e generico, assim sendo, as teorias etnologicas e antropologicas sao a formalizacao da teoria sociologica. Ao longo do seculo XX, varias oposicoes e autonomizacoes se constataram, saliento a etnologia do parentesco, sociologia da familia, antropologia politica (entre outros). Apos leitura do texto proposto de Jean Copans, concluo que ao longo da historia e particularmente no decorrer do seculo XX, constataram-se diversas evolucoes nas ciencias supra-referenciadas, relativamente ao seu objecto e metodo de estudo, tendo outras ciencias se apropriado ou confiado, o "seu"objecto de estudo, como por exemplo, e citando o texto "Nos anos 1960-1970, a ideologia do «Poder vermelho» (calcada do modelo do «Poder negro» dos militantes mais radicais dos direitos civicos) dos Amerindios da America do Norte, exigia o prevalecimento de uma taxa sobre os fundos de investigacao de uma etnologia considerada como colonial. Hoje em dia, sao os autoctones ou os indigenas que utilizam directamente o discurso e os resultados da disciplina para a orientacao dos seus debates politicos e «etnicos»."

Bibliografia:

  • Santos, Armindo dos, (2002), Antropologia Geral - Etnografia, Etnologia, Antropologia Social. Lisboa, Universidade Aberta (259), 2002
  • Copans, Jean (1999), Introducao e Etnografia e a Antropologia, Lisboa: Publicacoes Europa-America, pp. 49-51.
  • LeVI-STRAUSS, Claude - Antropologia estrutural. Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 1970.