Introdução

No âmbito da Unidade Curricular Gerontologia Clínica, leccionada pelo Professor Dr° António Caldeira, do 1° ano do ano lectivo 2009/2010 do Mestrado de Gerontologia, na especialidade em Gerontologia Social, foi solicitado a realização de um trabalho de revisão bibliográfica sobre: A Sexualidade na Terceira Idade.

Com o objectivo de contextualizar o tema do trabalho, no âmbito da disciplina serão aportados conceitos como o envelhecimento, o conceito de sexualidade, a sexualidade na terceira, as representações sociais, os mitos e os estereótipos em relação à sexualidade no idoso, assim como os factores psicossociais que poderão afectar negativa ou positivamente a sexualidade nesta etapa da vida.

Também serão abordadas todas as alterações fisiológicas no organismo do homem e da mulher nomeadamente a menopausa e andropausa que vão afectar a sexualidade nesta faixa etária.

Outro ponto importante também referido no decorrer do trabalho refere-se à problemática realizada em torno da sexualidade do idoso institucionalizado. assim como as reproduções sociais geradas pela sociedade acerca da homossexualidade na terceira idade.

O envelhecimento é um processo indutivo de várias mudanças no indivíduo, ao nível físico, mental e social. Estas mudanças tendem a afectar a expressão da sexualidade, na medida em que se torna necessário para o sénior redefinir objectivos, reconhecendo que está numa nova fase do ciclo vital, e que tal como as anteriores, está associada a determinados factos, crises de desenvolvimento próprias da fase em questão. O peso dos anos depende do significado que cada um lhe atribuir. Para muitos, ser idoso pode ser sinónimo de sabedoria e experiência a todos os níveis.

Relativamente à sexualidade, não está de modo algum comprovado que esta termine na terceira idade. Vejamos, o termo sexualidade não é sinónimo de acto sexual. A sexualidade envolve muito mais, ela pressupõe amor, carinho, sensualidade, fantasia e inteligência. é importante saber que o envelhecimento não compromete necessariamente a sexualidade.

Conceito de Envelhecimento

O envelhecimento caracteriza-se por diversas modificações que afectam o homem com a passagem dos anos.

é um processo de deterioração endógena e irreversível das capacidades funcionais do organismo. é um fenómeno inevitável, inerente à própria vida, equivalente à fase final do desenvolvimento diferencial do homem. Apesar de ser um fenómeno universal, não afecta todos os indivíduos da mesma maneira, não envelhecendo de modo idêntico nem ao mesmo ritmo.

Como nos diz Oliveira (2005), é comum encontrarmos metáforas que sugerem definições do conceito de envelhecimento, quer de um ponto de vista mais positivo ou, contrariamente mais negativo. Assim, é frequente ouvirmos expressões como: idade crepuscular, entardecer, poente, cair do sol, Outono da vida, rio que chega ao mar, cume da montanha, idade da colheita, coroamento da vida, idade da saudade, infância revisitada, idade das perdas, morte à vista, tempo de luto, entre tantas outras, as quais interpretadas e analisadas na sua essência, revelam alguns aspectos que estão associados à definição do conceito (a sabedoria, a grandeza, a beleza, a morte, a dor, o luto etc.).

Ainda de acordo com Oliveira (2005:24), do ponto de vista científico, os autores definem o envelhecimento, como um processo que devido ao avançar da idade, atinge toda a pessoa, bio-psico-socialmente considerada, isto é, todas as modificações morfo fisiológicas e psicológicas, com repercussões sociais, como consequência do desgaste do tempo. Na mesma linha de pensamento, Rosa (1996:9), diz-nos que o envelhecimento humano pode ser entendido como um processo individual resultante de alterações biológicas, psicológicas ou outras provocadas pela idade.

O envelhecimento, conforme Fontaine (2000:14), corresponde ao conjunto de processos (...), que o organismo sofre após a sua fase de desenvolvimento. O envelhecimento não é sinónimo de velhice. Este último é o estado que caracteriza um grupo de determinada idade, o das pessoas com mais de sessenta anos, diz ainda que o envelhecimento é um processo de degradação progressiva e diferencial que afecta todos os seres vivos e o seu termo natural é a morte do organismo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), considera fases distintas na velhice, tomando como ponto de partida o aumento da esperança de vida e a consequente longevidade do indivíduo. Assim, reconhece a idade madura (dos 60 aos 69 anos), a idade avançada (dos 70 aos 89 anos) e a grande idade (a partir dos 89 anos).

Poirier (1995:99), encara a velhice como um processo inelutável caracterizado por um conjunto complexo de factores fisiológicos, psicológicos e sociais específicos de cada indivíduo", sendo que, "certos idosos estão mais envelhecidos, outros parecem mais jovens e há ainda os que sentem não ter qualquer utilidade.

Fernandes (2000), encara a velhice como um conjunto de vivências, experiências, sentimentos e conhecimentos adquiridos ao longo do ciclo vital, tendo em conta os aspectos físicos, sociais e culturais inerentes a cada indivíduo.

Os conceitos de envelhecimento e velhice encontram-se em estreita ligação, sendo mesmo impossível definir objectivamente cada um deles. Deste modo, será legitimo afirmar que são dois conceitos que se complementam e contribuem para o melhor conhecimento da pessoa idosa, sem contudo haver uma concordância unânime por parte dos estudiosos acerca do significado destas realidades. O envelhecimento/velhice, traduz-se numa realidade universal, comum a todos os seres vivos e de carácter multidimensional.

Birren, (1999), refere mesmo que o envelhecimento é um dos maiores e mais complexos desafios que a ciência tem que enfrentar, dada a multiplicidade de fenómenos que lhe estão inerentes.

Teorias do Envelhecimento

Nos dias que correm, graças aos avanços das novas tecnologias e da medicina, os indivíduos esperam atingir, e vulgarmente ultrapassam, os 80 anos de vida. Enquanto há bem pouco tempo, era raro atingir uma idade avançada e as pessoas idosas representavam uma escassa franja da população, actualmente são o grupo mais numeroso.

Novaes (1999:39), defende que o século XX será lembrado por três grandes inovações: meios sem precedentes de salvar, prolongar e intensificar a vida; meios poderosos de destruir a vida pondo em risco o mundo; percepções amplas da natureza, de nós mesmos e do universo.

Conforme Nazareth (1997), o envelhecimento não se trata de uma doença nova, mas sim do confronto com uma realidade que é o aumento contínuo das pessoas idosas, quer em termos absolutos, quer relativos. O envelhecimento, consiste num processo gradual a que todos os seres humanos estão sujeitos. Caracteriza-se por um conjunto de factores de ordem fisiológica, psicológica e social inerentes ao indivíduo, pelo que assume uma forma diferente de pessoa para pessoa.

Segundo Costa (2002), ao longo do envelhecimento há uma perda progressiva de capacidades do corpo que não se renovam. A transformação dos processos sensoriais perceptivos, cognitivos e afectivos, a alteração na auto-imagem e no papel social, a perda de autonomia, a solidão, o isolamento, a inactividade e as alterações resultantes do padrão familiar tradicional determinam necessidades de saúde sobre as quais urge reflectir, estudar, debater e fazer o idoso falar.

Maclennan e Lye (1997), citados por Malvar (2002:26), defendem que qualquer teoria proposta terá de obedecer a quatro critérios, ou seja, o processo de envelhecimento tem que ser intrínseco, destrutivo, progressivo e universal em relação à espécie. Os autores consideram ainda que a teoria que melhor explica o envelhecimento é a do mecanismo do estroma descartável, a qual preconiza que muitos dos aspectos do envelhecimento, assentam na impossibilidade das células do organismo, fazerem face às variadas agressões ambientais, ficando incapazes de se regenerarem.

Berger e Mailloux - Poirier (1995), consideram quatro aspectos diferentes, mas de certa forma interrelacionados, no que respeita à abordagem do envelhecimento:

  1. Envelhecimento físico em que se verifica a perda progressiva das capacidades orgânicas e corporais.
  2. Envelhecimento psicológico que engloba todas as alterações dos mecanismos sensoriais, perceptuais, cognitivos e afectivos na vida do indivíduo.
  3. Envelhecimento comportamental que inclui todas as modificações descritas anteriormente, num determinado meio, reagrupando as aptidões, as expectativas, as motivações, a auto-imagem, os papéis sociais, a personalidade e a adaptação.
  4. Envelhecimento social, caracterizado pelas influências que o indivíduo e a sociedade exercem um sobre o outro em áreas como o rendimento, a saúde, a actividade profissional, o lazer, a família, etc.

Tendo em conta esta abordagem, o envelhecimento traduz algo muito complexo, que envolve as várias componentes da vida do ser humano e não deve ser encarado numa perspectiva redutora e unidisciplinar.

Conforme referem Nazareth (1999) e Poirier (1995), estes mecanismos estão na base das teorias do envelhecimento sob o ponto de vista da biologia, as quais explicam este fenómeno numa perspectiva que apenas contempla os aspectos biológicos do indivíduo. São elas a:

Teoria imunitária, segundo a qual parece não haver distinção, por parte do sistema imunitário, entre as células saudáveis e as substâncias estranhas ao organismo, situação que conduz ao envelhecimento.

Teoria genética, segundo a qual o envelhecimento integra o código genético dos indivíduos, estando programado biologicamente sob a forma de um contínuo (embriogenese, puberdade e maturação), desde o nascimento até à morte.

Teoria do erro da síntese proteica, que refere a possibilidade de modificações na molécula de ADN, as quais alteram a informação genética levando à síntese de proteínas incapazes de desempenhar a sua função e consequentemente ao envelhecimento.

Teoria do desgaste, que defende que os vários sistemas do organismo humano se danificam à medida que desempenham as suas funções ao longo do tempo.

Teoria dos radicais livres, explica o envelhecimento através do aparecimento de produtos tóxicos no organismo como resultado da peroxidação dos ácidos gordos não saturados pelos radicais livres. Este mecanismo provoca o envelhecimento celular, principalmente ao nível dos neurónios e das fibras musculares, conduzindo à sua decadência funcional.

Teoria neuro-endócrina, que atribui o envelhecimento à progressiva falência do sistema endócrino relativamente às diferentes funções orgânicas.

A par das teorias explicativas do envelhecimento biológico, existem teorias respeitantes ao envelhecimento psicossocial, as quais abordam outras dimensões deste fenómeno, Poirier (1995):

Teoria da actividade, que defende que a pessoa idosa deve continuar activa para alcançar a maior satisfação possível e preservar a sua saúde, o que por vezes implica identificar e adoptar novos papéis.

Teoria da desinserção, a qual refere que o envelhecimento está associado ao afastamento progressivo do indivíduo face à sociedade e vice-versa, o que conduz a uma desinserção recíproca.

Teoria da continuidade, que diz que o idoso continua nesta fase do ciclo vital, com os seus hábitos, gostos e características anteriores, os quais integram a sua personalidade ainda que tenha que desenvolver alguns mecanismos de adaptação.

Sendo o envelhecimento um fenómeno complexo e multidimencional, não existe uma teoria explicativa consensual e universal, contudo, tanto factores de natureza fisiológica, psicossocial e mesmo cultural, podem contribuir para melhor perceber esta fase da vida do ser humano.

Conceito de sexualidade

Segundo a OMS - Organização Mundial de Saúde, mais concretamente Espinosa em 1998, define a sexualidade como uma energia que motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; integra-se no modo como nos sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e é ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos e, por isso, influencia também a saúde física e mental e tendo como dimensões integrantes a biológica, psico-afectiva, comunicativa, ética, sociocultural e política.

Woods (1995), considera ser a sexualidade um fenómeno que envolve a pessoas no eu todo e que abrange uma complexa interacção da variáveis biológicas, psicológicas e socioculturais.

Por sua vez Sorensen (1998) afirma ser a sexualidade o estado ou a qualidade de ser sexual. Refere-se às características que marcam a diferença entre o macho e a fêmea. De uma forma holística, o termo sexualidade engloba alguns significados: a procura de prazer sexual, a reprodução, a necessidade de amor, a realização pessoal e a tomada de consciência da sua identidade sexual.

A sexualidade, bem como todos os sentimentos e sensações que lhe estão associados sempre fizeram parte da história da humanidade quer de uma forma mais subtil, quer de uma forma mais clara e explícita.

Várias obras de arte da antiguidade, ou mesmo desenhos da pré-história retratam o corpo humano com ênfase nos orgãos genitas (principalmente os masculinos). São igualmente encontradas referencias ao estudo do amor e do apetite sexual desde a Idade Antiga, nos escritos do filósofo Platão, que identificava Eros como o Deus do amor e dos apetites sexuais e dos instinto básico da vida, responsável pela atracção entre os corpos.

Ao longo dos tempos a expressão e vivência da sexualidade tem estado associada a conceitos de pecado e a ideias pré-concebidas, resultantes da rigidez ético-moral da Igreja Católica vigente essencialmente da sociedade ocidental.

O estudo da sexualidade humana teve o seu grande contributo com Sigmund Freud. De acordo com este cientista e investigador, o desenvolvimento da sexualidade está presente desde a infância, sendo ele, o primeiro a referir que as crianças se masturbavam em busca de prazer, inicialmente tratar-se-ia de prazer oral, depois de prazer anal e posteriormente de prazer genital. Freud referiu-se a Eros, o Deus de Platão como a Líbido, a força vital do amor.

Masters e Johnson foram os primeiros a fazerem um estudo científico sobre os aspectos fisiológicos do comportamento sexual. Estes autores comprovaram que a reacção sexual é um fenómeno cíclico - Ciclo da Resposta Sexual Humana - composto por quatro fases: fase de excitação, fase de plataforma, orgasmo e fase de resolução. Reconheceram, através das suas pesquisas, que não há limite de idade para a prática do comportamento sexual.

No entanto, a sexualidade abarca muito mais do que a resposta sexual humana, envolve uma séria de sentimentos, emoções, afectos e sensações que acompanham o indivíduo no seu dia-a-dia ao longo de todo o seu ciclo vital.

A sexualidade nos idosos

Enquanto o Homem viver, seja qual for a sua idade, é capaz de sentir impulsos eróticos,não exstindo nenhuma idade em que a actividade sexual, os pensamentos sobre sexo ou os desejos acabem (Lopez, 1993).

A sexualidade conhece ao longo da vida diferentes fases de acordo com as etapas fisiológicas inerentes ao desenvolvimento do indivíduo: infância. Adolescência, fase adulta e velhice. Fuentes e Lopez (1999), consideram que até a adolescencia, se verifica uma evolução semelhante em todas as crianças uma vez que os processos biológicos e as fases sociais pelas quais passam são praticamente idênticos. Porém depois da adolescência e durante toda a idade adulta, os indivíduos seguem percursos diferentes, manifestando um maior número de diferenças entre si.

Tal como em todas as etapas da vida a sexualidade do idoso é influenciada por uma série de factores: físicos, psicológicos e biográficos de um indivíduo, da existência de um/a companheiro/a, dependem também do contexto sociocultural onde se insere o idoso.

Fuertes e Lopez (1989), mostram que culturalmente, os relacionamentos sexuais têm sido considerados comportamentos exclusivos das pessoas jovens, saudáveis e fisicamente atraentes. A concepção de que os idosos também possam manter actividade sexual não é bem aceite socialmente, preferindo-se mesmo ignorar a sexualidade da pessoa idosa. Apesar destes conceitos culturais, durante a velhice, é frequentemente conservada, a necessidade psicológica de manter viva a sexualidade, não podendo delimitar-se a uma idade própria para que a actividade sexual, os pensamentos sobre sexo e o desejo sexual terminem.

Limentani (1995) citado por Custódio (2008), diz que os idosos se distanciam e se esquecem do próprio corpo, tanto mais quanto na infância, a sociedade preconizar que a sexualidade deve ser ignorada na velhice. A par desta situação, refere ainda que persiste o problema de grande parte da literatura médica incidir sobre as vivências da sexualidade baseadas exclusivamente no coito, ignorando ou não concebendo outros comportamentos ou práticas igualmente impulsionadoras de prazer e desejo.

Investigadores, como Kaiser (1996), realizaram uma revisão dos últimos trabalhos publicados até então sobre a actividade sexual na Terceira Idade. Entre esses estudos destaca-se o de Pfeiffer (1968), que encontrou, em 95% com idade entre os 46 e 50 anos, uma frequência semanal de relacionamentos sexuais, baixando essa frequência para 28%, nos homens entre 66 e 71 anos. No caso das pessoas idosas casadas, verificou-se que 53% dos casais com idade de 60 anos se mantinham sexualmente activos, o mesmo acontecendo a 24% daqueles cujas idades eram superiores a 76 anos. Nestes estudos verificou-se igualmente que a actividade sexual mais frequente entre os idosos era as carícias, os toques, e finalmente, o coito. Esta investigação, revelou ainda, ser frequente a masturbação em 74% dos homens e 42% das mulheres estudadas e que tanto os homens como as mulheres sexualmente activas na idade madura, eram pessoas que tinham tido mais parceiros (as) sexuais e maior actividade sexual na juventude.

Lima (2006), indica-nos que o avançar da idade é um factor relevante nas alterações do desejo sexual, tanto para os homens como para as mulheres. Aponta ainda, que os comportamentos sexuais sofrem um notório declínio ao longo da vida. Outros autores como Masters e Johnson (1994), designados por Lima (2006), consideram que a idade não interfere no desejo sexual feminino. O facto dos resultados das investigações serem controversos deve-se, por um lado, à diversidade de formas de medir e operacionalizar o comportamento e o desejo sexual e, por outro lado, à influência mediadora de outras variáveis Lima (2006).

Algumas das variáveis que podem ser apontadas como comprometedoras da actividade sexual na idade madura são as que se seguem:

  • A ausência ou não de companheiro (a).
  • A capacidade de interesse do companheiro (a).
  • O estado de saúde.
  • Problemas de impotência no homem ou de dispareunia na mulher.
  • Efeitos colaterais de medicamentos.
  • Perda de privacidade, como por exemplo, viver na casa dos filhos.

Entre as causas que podem influenciar a sexualidade do idoso, Steike (1997) apontou um dos principais factores a influir negativamente a sexualidade do adulto maduro, o importante desconhecimento deste conceito, assim como aspectos culturalmente proibitivos relativamente à sexualidade dos idosos.

Pode-se afirmar que existem diferenças individuais significativas quanto à sexualidade na terceira idade, as quais têm na sua base factores como as características das relações sexuais na juventude, as próprias alterações fisiológicas do envelhecimento, o estado de saúde do indivíduo, a influência da medicação, a existências de alterações do foro da psicopatologia, variáveis psicossociais, a existência de um parceiro(a) estável, a qualidade da relação, o funcionamento social e o nível educacional do indivíduo.

No que respeita às alterações fisiológicas próprias do envelhecimento, Fuertes e Lopez (1989), referem que estas alterações verificam-se de formas distintas e em tempos diferentes, e não devem ser, de forma alguma, classificadas de decadência sexual, uma vez que a sexualidade não se restringe apenas à vertente meramente genital, coital ou reprodutiva.

Representações Sociais, mitos e estereótipos em relação à sexualidade dos idosos

O termo representação social surge pela primeira vez com Durkheim no campo da sociologia. Actualmente é um conceito que aparece ligado a todos os domínios das ciências humanas. Segundo Abdelmalek e Gérard, citado por Custódio (2008), representações sociais são o produto das acções e das relações humanas e têm uma existência real, como a linguagem ou os estados de bem-estar ou de sofrimento.

Na sociedade actual, o poder económico é sinónimo de qualidade de vida, uma vez que tem uma forte identificação com lucro e poder de compra. A diminuição da capacidade produtiva o aumento da dependência e das necessidades próprias da Terceira Idade, contrariam o que é desejável ao bom funcionamento social, levando os idosos a sentirem-se objecto de fracasso e de inutilidade, pelo que são frequentemente marginalizados como grupo social, vítimas de preconceitos e estereótipos.

Para Berger (1995), os estereótipos traduzem uma percepção automática, não adaptada à situação, reproduzidas sem variantes, segundo um padrão bem determinado e pode ser positivo ou negativo e são vários os associados ao velho e ao envelhecimento. Na perspectiva desta autora, os mitos são construções do espírito que não assentam na realidade. São representações simbólicas que, pela falta de conhecimento em relação ao processo de envelhecimento, são marcadamente manifestadas pela sociedade. A maioria dos sinónimos associados ao termo velho, aparecem com uma vertente negativa, limitando substancialmente a compreensão do envelhecimento, contribuindo para edificar e manter as representações, os mitos e os estereótipos face aos idosos.

Beauvoir (1970), na sua obra a Velhice, em relação aos idosos, profere que a imagem sublimada que fazemos deles, é a do sábio, aureolado de cabelos brancos, rico em experiencia e venerável, que domina do alto da condição humana; se se afastam desta imagem, caem por terra: a imagem oposta à primeira é a do velho louco, que não raciocina e que divaga e de quem os filhos se riem. De uma maneira ou de outra, pelas suas virtudes ou pelos seus objectivos, situam-se fora da humanidade.

  • Mauritti, citado por Custódio (2008), aponta dois grandes grupos de representações sobre a velhice e o envelhecimento. Por um lado, uma abordagem da velhice negativa, fundamentada nas situações de pobreza, doença, dependência, solidão e isolamento social, restringindo o indivíduo, nesta fase da sua vida, a uma existência, desprovida de interesses, oportunidades e integração social. Por outro lado, uma vertente positiva da velhice, onde imperam factores como a estabilidade económica, liberdade, disponibilidade e tempo para a recreação e o lazer.
  • Berger, (1995), revela catorze dos mais comuns estereótipos relacionados com os idosos e que são os seguintes:

    • Os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir.
    • Divertem-se e gostam de rir.
    • Temem o futuro.
    • Gostam de jogar às cartas e a outros jogos semelhantes (bingo, loto, etc.).
    • Gostam de conversar e contar as suas recordações.
    • Gostam de depender dos filhos.
    • São pessoas doentes e tomam muitos medicamentos.
    • Fazem raciocínios senis.
    • São relativamente limpos e não se preocupam com a sua aparência.
    • São muito religiosos e rezam muito.
    • São muito sensíveis e inseguros.
    • Já não se interessam pela sexualidade.
    • São muito frágeis para fazerem exercício físico.
    • São quase todos pobres.

    Segundo Berger (1995), estes estereótipos parecem estar ligados mais a aspectos da personalidade e factores sociais, económicos e culturais, do que mais precisamente ao processo de envelhecimento.

    Sendo o envelhecimento um fenómeno marcado pela complexidade e heterogeneidade, Simões (1985), considera que se pode ser velho fisicamente, psicologicamente de meia-idade e jovem socialmente, sendo possível combinar qualquer uma destas três situações.

    Na opinião de Fonseca e Sousa et al (2004), os idosos são encarados, pela sociedade em geral, como doentes e senis, e no caso de o não estarem, como seres incapazes e dependentes. Outra ideia muito comum sobra a velhice, é a de que os idosos voltam a ser crianças nesta fase da sua vida.

    Assim, são muitos os mitos, estereótipos, crenças e conceitos sobre o velho, a velhice e o envelhecimento, que na sua maioria, são de carácter negativo de desvalorizador, o que reduz de forma significativa a imagem e estatuto social do idoso. As atitudes que adoptamos perante o idoso, e a forma como nos relacionamos com ele, condicionam vincadamente a forma como este encara a velhice e todo o processo de envelhecimento. Custódio (2008).

    Citando Berger (1995), as principais atitudes negativas face à velhice são a gerontofobia, o automorfismo social, o idadismo ou o âgismo, e a infatilização ou o bebeísmo.

    A gerontofobia consiste no medo irracional de tudo quanto se relaciona com a velhice e com o envelhecimento, o que conduz a comportamentos negativos chegando mesmo a atitudes de repugnância face ao envelhecimento e a tudo o que se lhe relaciona.

    O automorfismo social traduz-se no não reconhecimento da unicidade do idoso.

    O idadismo ou âgisme, diz respeito a todas as formas de discriminação com base na idade, ou seja, a sociedade atribui à idade avançada a principal causa para estados de doença, comportamentos ou situações inexplicáveis que acontecem ao idoso.

    A infatilização ou bebeísmo, refere-se a situações muito comuns, quando o idoso, numa situação de dependência e perda de autonomia, leva a que seja tratado com diminutivos, como avozinho, mauzinho, etc.

    Todas estas atitudes, influenciadas por diversos factores como a educação, a cultura, a idade, os meios de comunicação social, entre outros, são fortemente desvalorizadoras do indivíduo idoso não o respeitando como pessoa humana que é.

    A par de todas estas crenças existe o estereótipo cultural de que a sexualidade do idoso termina com a função reprodutora, sendo que a sexualidade desaparece, na mulher depois da menopausa e é quase inexistente no homem idoso (Custódio, 2008).

    Em oposição a esta ideia, Canhão, citado por Custódio (2008), considera que o processo de envelhecimento não conduz a uma fase assexuada do indivíduo, mas sim a uma outra etapa no percurso da sexualidade humana, a qual deve ser merecidamente vivida e apreciada. Porém, face ao desconhecimento e à pressão sociocultural, é frequente os idosos experimentarem sentimentos de culpa e vergonha, chegando-se a considerar pessoas fora da normalidade, por sentirem prazer e vontade de manifestar a sua sexualidade, podendo mesmo renunciar e ocultar a sua sexualidade para não se sentirem discriminados.

    Socialmente, existem estereótipos ou tabus que negam aos idosos a possibilidade de satisfazer as suas necessidades sexuais. Eles próprios podem bloquear os seus impulsos sexuais por causa de preconceitos, o que por muitas vezes conduz a uma contradição do que é esperado deles, por parte da sociedade e aquilo que eles realmente necessitam e desejam. Custódio (2008).

    Citando Simões (1985), é um contra-senso que uma sociedade dita liberal, que se supõe ter superado muitos preconceitos sexuais, rejeite a manifestação da sexualidade nos idosos, o que muitas vezes conduz a que os próprios idosos se marginalizem.

    Lima (2003), refere que muitos dos preconceitos e mitos sobre a sexualidade do idoso estão generalizados em anedotas e ditos populares, sendo os mais comuns: o coito e a eliminação de sémen são debilitantes e aceleram o envelhecimento e a morte; a vida pode ser prolongada pela abstinência sexual na juventude e inactividade mais tarde; a masturbação só é praticada por idosos perturbados mentalmente sendo uma característica infantil; depois da menopausa a satisfação sexual diminui; os idosos são particularmente vulneráveis a desvios sexuais como o exibicionismo e parafilias ; as mulheres idosas que apreciam sexo foram em tempos ninfomaníacas; a maioria dos idosos perde o desejo e a capacidade de ter relações sexuais; as pessoas doentes não devem ter relações sexuais; a execução sexual mantém-se igual ao longo da vida; quem deixa de ter capacidade sexual nunca mais poderá voltar a ter; etc.

    Fisicamente, com as alterações próprias do envelhecimento, o vigor físico da juventude já não é o mesmo, podendo haver dificuldade de desempenho em ambos os sexos. O homem pode ter maior dificuldade em manter a erecção, assim como a mulher pode apresentar alterações ao nível da lubrificação, tendo mais dificuldade em se excitar e ficar preparada para a relação Simões (1985).

    O desejo, ao contrário, pode não se alterar, talvez até porque neste momento da vida, os filhos já estão criados, as dificuldades superadas, a disponibilidade afectiva e o tempo de lazer é maior, o que facilita e favorece o desejo sexual. A quantidade tão generosa no inicio da vida sexual dá lugar a uma vivencia sexual mais qualificada, em que o prazer do casal assenta na qualidade (Custodio, 2008).

    é importante desmistifica, os aspectos relacionados com a sexualidade no idoso, para que este não desacredite dos seus potenciais e adopte uma vida assexuada Lopez e Fuertes (1989). Uma sexualidade bem vivida, facilita a problemática existencial relativa à convivência com a idade avançada, aumentando o prazer de viver e a auto estima tanto para o homem como para a mulher.

    Concluindo com Simões (1985), a importância de continuar o relacionamento amoroso, na velhice, é difícil de sobrestimar. O sexo acarreta mais do que a satisfação física directa, embora não se deva menosprezar a sua importância

    Factores psicossociais que afectam a actividade sexual no idoso

    O envolvimento sexual em qualquer idade exige investimento de tempo, comprometimento psicossocial e energia. Tal como nos indivíduos pertencentes a outras faixas etárias, nos idosos a apetência sexual pode diminuir ou extinguir-se perante a fadiga física ou psicológica, preocupações com o trabalho, ausência de uma alimentação saudável, doença física ou psicológica ou pela ansiedade de execução. Desta forma, mais do que os processos fisiológicos, podem existir outros factores relacionados com a vivência da própria velhice e da sexualidade que poderão afectar negativa ou positivamente a performance nesta etapa da vida.

    As doenças são, talvez as maiores responsáveis pela inibição na resposta e funcionamento sexual. Isto deve-se não só às alterações orgânicas induzidas e aos efeitos secundários dos tratamentos, mas também pelo carácter assustador da própria doença e ansiedade a ela associada.

    O modelo dominante de figura corporal atractiva baseado na juventude, elegância, vigor físico, ausência de gordura e etc., influencia, de igual modo, o envolvimento sexual, sendo que os homens e mulheres que se sentem atractivos e que se sentem bem com o próprio corpo, têm maior probabilidade de ter relações sexuais satisfatórias. As mulheres pendendo a construir a sua própria imagem com base em julgamentos sobre a aparência física acabam por sair "perdedoras" neste campo, uma vez que, as rugas, os cabelos brancos e a gordura corporal tendem a aparecer mais cedo do que os homens, afectando negativamente a imagem que têm de si próprias. Pelo contrário, nos homens estas transformações estão associadas a maior maturidade, sabedoria sendo consideradas muitas vezes atractivas.

    A falta de parceiro sexual constitui um outro problema à falta de sexualidade nos idosos, sendo uma das causas sociais mais importantes que limita os possíveis comportamentos sexuais.

    O ter tido uma história sexual na qual as relações sexuais se iniciaram tarde e, sobretudo, foram mantidas de forma irregular, com grandes intervalos de tempo, tem uma relação directa com a diminuição da capacidade sexual na velhice. Aqueles que se evidenciaram mais capazes e sexualmente mais activos na velhice, são os que, ao longo da sua vida, tiveram comportamentos sexuais de forma regular e satisfatória. As relações rotineiras, insatisfatórias e conflituosas diminuem normalmente o desejo sexual e, com o tempo, as próprias capacidades sexuais.

  • As dificuldades económicas ou sócias, perdas sociais associadas à reforma, diminuem também o interesse e as capacidades sexuais, sobretudo pela situação de tensão, dependência e marginalização que podem provocar.
  • De igual modo, os estilos de vida inadequados como o álcool, a fadiga física ou mental, a obesidade, a falta de higiene, são factores provocadores de incapacidade sexual.
  • O medo de não ser capaz de ter relações sexuais coitais ou de não poder proporcionar prazer ao parceiro, tal como a ansiedade de execução e a insegurança, limitam fortemente a performance sexual.
  • A atitude dos familiares e da sociedade em geral, normalmente negativa em relação ao interesse sexual dos idosos, converte-se muitas vezes numa dificuldade insolúvel que os persegue e culpabiliza.
  • A atitude dos cuidadores e do pessoal que trabalha e dirige as instituições de terceira idade costuma ser extremamente conservadora, criando dificuldades acrescidas aos que deles dependem, fazendo com que seja praticamente impossível qualquer forma de sexualidade.
  • O conhecimento e as atitudes quês as pessoas levam para o próprio encontro sexual também afectam a qualidade e a frequência da sua experiencia. Assim, atitudes positivas perante a sexualidade estão associadas a um maior desejo e procura na manutenção da sexualidade. Pelo contrário, sentimentos de culpa, vergonha, crenças erróneas e negativas acerca da sexualidade, conduzem alguns idosos a evitar ou a reduzir consideravelmente os seus contactos sexuais.
  • Outro factor limitante da sexualidade na terceira idade é facto de haver um número maior de mulheres do que o de homens nesta faixa etária. Esta discrepância numérica faz com que na velhice haja muito mais mulheres sem parceiro do que homens na mesma situação. As convenções sociais associadas ao casamento na velhice, aliadas ao número de viúvas, com dificuldades em encontrar parceiro, são também desfavoráveis a uma sexualidade activa. Além deste factor as viúvas choram os esposos durante muito tempo, são menos convidadas a actos sociais e ficam, definitivamente mais isoladas da sociedade. Também o moral sexual é mais rígido para com as mulheres, sendo menos bem aceite que uma mulher idosa tome liberdades no campo sexual.
  • Envelhecimento Sexual Feminino

    Menopausa

    Por volta dos 40 anos de idade, começa a ser mais evidente o processo de deterioração da função ovária na mulher, a este processo é dado o nome de climatério do grego Klimacter no qual é compreendido diferentes fases, a peri-menopausa, a menopausa e a pós -menopausa. Lopes (1994).

    A peri - menopausa consiste na ocorrência das primeiras alterações do ciclo menstrual. As menstruações nesta fase são em geral mais espaçadas e com menos volume, no entanto podem também ocorrer de forma desregulada através do aparecimento de dois fluxos num mês, assim como, também poderão existir alguns atrasos. Estas alterações ocorridas ao nível da menstruação, estão muitas vezes associadas a distúrbios neurovegetativos, como as ondas de calor e suores, cansaço, náuseas, etc, sintomas que muitas vezes chegam a confundir a mulher no sentido que poderá estar grávida. Lopes (1994).

    A menopausa não deve ser encarada como um fenómeno abrupto, mas apenas como um facto normal do organismo, nomeadamente um processo de transição entre períodos menstruais regulares, que se tornaram irregulares até ao fim das menstruações.

    A menopausa é a fase da vida da mulher que cessa a capacidade reprodutiva. Os ovários deixam de funcionar e a produção de esteróides e peptídeo hormonal diminui e consequentemente se produzem no organismo diversas mudanças fisiológicas, algumas resultantes da cessão da função ovariana e de fenômenos menopaúsicos a ela relacionados e outros devidos ao processo de envelhecimento. Quando se aproximam da menopausa, muitas mulheres experimentam certos sintomas, em geral passageiros e inócuos, porém não menos desagradáveis e às vezes incapacitantes. (OMS, 1996)

    Alterações ocorridas no organismo da mulher com a menopausa

    Como já foi explanado a menopausa é um processo em que consiste na paragem do funcionamento dos ovários, uma vez, que estes, deixam de produzir hormonas sexuais femininas e de eliminar óvulos. Este decurso leva a que a mulher deixe de ser menstruada, ocorrendo assim a amenorréia. Por norma, só se fala em menopausa propriamente dita quando já se passou um ano sem episódios menstruais. Nesta nova etapa da vida da mulher ocorre a diminuição da produção de hormonas do organismo nomeadamente do estrogénio e progesterona. Lopes (1994).

    Ainda de acordo com este autor, esta situação vai originar uma conjunto de sintomas vaso motores, como ondas de calor e sudorese. As ondas de calor são causadas pela disfunção dos mecanismos de controle da temperatura no hipotálamo como resultado da produção deficiente de estrogénio. Estas ondas de calor surgem de forma inesperada apresentando-se como uma ardume da parte superior do corpo, acompanhados por vermelhidão, nesta fase ocorre também um aumento da distribuição da gordura pelo corpo, suores e tonturas.

    O estreitamento e o encolhimento da vagina, assim como, a perda da elasticidade dos tecidos, diminuição dos pelos púbicos e a menor lubrificação da vagina durante a excitação, são também alterações características do défice da produção de estrogénio. Estas alterações podem provocar dor e desconforto para a mulher, durante as relações sexuais. Lopes (1994).

    Também podem surgir alterações no âmbito da flora vaginal, isto é dos microrganismos residentes na flora vaginal, ocorrendo uma maior predisposição para infecções urogenitais reincidentes. A incontinência urinária de esforço, as infecções urogenitais, podem também ser um factor perturbante a alterar a sexualidade feminina e do casal. Lopes (1994).

    A derme e espessura da pele, é também afectada com estas alterações hormonais características deste processo, perdendo o brilho vivacidade, ficando mais seca, escamosa, acentuando-se mais rugosa. Lopes (1994).

    Com o passar do tempo que se segue à menopausa. surge a perda do teor mineral nos ossos, ou osteoporose que torna os osso mais susceptíveis a fracturas.

    A pós menopausa corresponde à extensão da etapa anterior, mais tarde é identificada uma atenuação das sintomatologias e adaptação da mulher face a estes acontecimentos. No entanto podem surgir problemas mais graves como osteoporose e enfarte do miocárdio. Lopes (1994).

    é sabido que o envelhecimento por si só, não simboliza um factor de diminuição do interesse nem do potencial sexual da mulher. O interesse e a capacidade para a resposta sexual, incluindo o orgasmo, não estão dependentes da produção do estrogénio, como tal estes podem persistir pela vida fora da mulher se ela assim o desejar. No entanto, verifica-se nas mulheres que estão a passar por esta fase uma mudança no tipo de resposta sexual. Estas mudanças estão intimamente ligadas às alterações biológicas ocorridas no corpo da mulher. A resposta sexual torna-se mais lenta e menos intensa, como consequência da diminuição do estrogénio.

    As mudanças que vão alterar o comportamento das mulheres no que concerne à actividade sexual estão definidas em diferentes âmbitos, nomeadamente, nas alterações fisiológicas, alterações na fase de excitação, alterações da fase de orgasmo e na fase da resolução Lopes (1994).

    Em relação às alterações fisiológicas, como já foi referido anteriormente, estão intimamente ligadas à diminuição da produção do estrogénio e progesterona, à diminuição do colo do útero, do útero e dos ovários, à diminuição na espessura e elasticidades da vagina, assim como, da diminuição da lubrificação da vagina, uma conjunto de alterações que podem originar desconforto e incomodo para a mulher no acto sexual. Lopes (1994).

    Nas alterações ocorridas no âmbito da fase da excitação, verifica-se uma resposta muito mais lenta, a redução da vaso congestão genital. devido à diminuição do fluxo sanguíneo pela quebra da produção de estrogénios. O aumento no tamanho dos seios torna-se mínimo ou ausente, ocorre também uma menor tensão sexual na medida em que surge também uma diminuição da massa muscular. Nesta fase ocorre também uma menor expansão da vagina e menor lubrificação da mesma, a secura da vagina vai originar atrasos e lentidão na lubrificação fazendo com que o coito possa causar dor devido a secura vaginal. Lopes (1994).

    No caso da alterações ocorridas ao nível da fase de orgasmo, a resposta clitoridiana continua intacta, por outro lado existe uma diminuição da duração do orgasmo e ocorrência de menos contracções vaginais, sendo estas também muito mais fracas. Lopes (1994).

    Por fim para as modificações surgidas na fase da resolução, verificam-se o aumento do tempo de retorno do estado pré - estimulatório, a redução da capacidade multiorgástica, irritação fácil do clitóris devido à redução do tecido adiposo. Surgem também sintomas de cistite ou uretrite após o coito demorado ou repetido em intervalo curto de tempo, chamada de cistite de lua- de mel. Lopes (1994).

    Problemas Sexuais na Mulher

    Estes diferentes factores biológicos referidos sem dúvida vão alterar o comportamento e pré - disposição da mulher para a relação sexual, no entanto são múltiplos os factores que condicionam esta situação, que abrangem a faceta social, hormonal e a idade propriamente dita dos sujeitos em questão.

    Enquanto que para algumas mulheres após a menopausa o desejo sexual deixa de existir, noutros casos ele aumenta, apresentando algumas mulheres um apetite erótico. A menopausa favorece o aumento da libido, tendo em conta que a ruptura da produção de estrogénios, origina como contrapartida o aumento da produção de androgénios, através da produção da testosterona, que representam as hormonas da libido sexual. Assim como continua a existir a produção de hormonas que tem por função activar a libido sexual e não surgindo a oposição dos estrogénios, podem originar em algumas mulheres o aumento do desejo sexual. O peso dos factores psicossociais representam uma importante papel na determinação dos comportamentos sexuais dos indivíduos.

    A queixa sexual mais usual é a inibição do desejo, isto é falta de interesse em ter relações sexuais. Muitas mulheres fazem por obrigação, para cumprir com os seus deveres morais e não perderem o seu parceiro. Não se apercebendo que ao agir desta forma, só estragam a própria relação. Existem também casos que evoluem para fobias mais extremas, apresentando fobia ou aversão sexual, onde o estimulo não é apenas indiferente como passa a ser algo repulsivo e provocador de distúrbios. Ocorrendo à necessidade da mulher procurar terapia para solucionar os problemas.

    Para o caso em que as queixas da falta se desejo sexual advém da monotonia conjugal, por ausência de fantasias, desconhecimento do corporal ou jogo sexual com estimulação insuficiente ou inadequada, é possível ajudar a mulher através de terapia ou aconselhamento sexual. Lopes (1994).

    Para os casos em que o quadro sexual vem acompanhado de depressão, a instituição de medicação específica pode originar a melhorias significativas.

    Problemas sexuais decorrentes de alterações orgânicas

    Os problemas mais comuns nas mulheres que ultrapassam a menopausa correspondem essencialmente à atrofia vaginal.

    A inactividade sexual potencializa a senilidade vaginal, isto é, as mulheres que estejam na menopausa, mas que ainda assim possuam uma vida sexual activa vão apresentar de modo significativo uma menor atrofia vaginal do que as inactivas. E também vão apresentar uma maior diminuição do seu peso corporal, pois de acordo com alguns estudos verificou-se que as mulheres que estão na menopausa e que são inactivas sexualmente, potencializam o aumento do deu peso, como refere Ricardo Cavalcanti[1].

    Os sintomas da menopausa mais comuns são essencialmente as ondas de calor, os suores nocturnos que vão também afectar a vida sexual da mulher.

    Problemas Sexuais decorrentes de alterações psicossociais

    Os factores interpessoais tem também um grande peso sobre os factores orgânicos como determinante na vida da mulher.

    As crenças criadas à volta do acto sexual, apenas entendido como forma de conceber filhos, uma vez que esta função já está realizada na é necessário realizá-la mais.

    As mulheres que são sexualmente inactivas durante a menopausa podem reflectir também um deficiente desejo sentido ao longo de toda sua vida conjugal, e normalmente estas abandonam as actividades coitais, por pensarem e acreditarem que o sexo nunca teve grande importância suas vidas.

    A falta de parceiro ou viuvez podem também considerar-se uma factor limitante para as mulheres que vivem a menopausa.

    A falta de comunicação entre o casal, a vergonha de algumas de mulheres podem também considera-se num desencontro sexual. Lopes (1994).

    Menopausa cirúrgica

    Algumas mulheres muitas vezes de forma inesperada são confrontadas com uma menopausa fora de horas, induzida cirurgicamente devido à remoção do útero (histerectomia) ou remoção bilateral dos ovários (ooforectomia). As mulheres que são sujeitas a estas cirurgias, apresentam uma diminuição significativa da testosterona e estrogénios nos primeiros dias após a cirurgia.

    Algum tempo antes ou após a cirurgia elas são submetidas a tratamentos da reposição hormonal, fazendo com que o estrogénio garanta e integridade vaginal, prevenindo as ondas de calor, a sudorese. Por outro lados os prodestagénios previnem os efeitos colaterais da exposição prolongada do estrogénio.

    Os principais efeitos destas cirurgias para as mulheres são essencialmente, que funcionam como um forma de castração para a mulher. A remoção to útero ou dos ovários na maioria das vezes representa a anulação da feminilidade e reflecte na sua auto-imagem, auto - estima e sexualidade. Lopes (1994).

    Terapêutica Hormonal de substituição

    Esta é uma terapia que consiste na reposição hormonal na mulher com estrogénio que trazem algumas vantagens, como a redução do risco da osteoporose, redução dos riscos de doenças cardiovasculares, melhoria da depressão, melhoria da actividade sexual, assim como da melhoria da memória apresentando-se como possível prevenção da Doença Alzheimer. No entanto, por outro lado esta teoria apresenta algumas desvantagens como o custo elevado para os tratamento, o tratamento é prolongado, há o reaparecimento da menstruação em algumas mulheres, e o agravamento de cancro da mama para mulheres susceptíveis

    Existem também tratamentos não hormonais, ou através a introdução de medicamentos que imitam até em certo ponto as qualidades do estrogénio, exercendo apenas o aspecto benéfico desta hormona, a titulo de exemplo podemos considerar o Raloxifeno e a Tibolona.

    Em relação ao Raloxifeno, este apresenta vantagens no âmbito do tratamento da osteoporose, possível redução de riscos de doenças Cardio - vasculares, protecção contra o cancro da mama, protecção contra o cancro o endométrio, e possível prevenção para o cancro da mama. é de convir que este medicamento tem um custo altamente elevado, durante todo o tratamento, não diminui as ondas de calor, não diminui a dor na relação sexual, e não apresenta efeitos sobre a pela vagina e bexiga.

    A Tiboloma apresenta vantagens na media em que previnem também para a osteoporose, reduz os riscos de Doenças Cardiovasculares, não se verifica nenhuma acção sobre a mama, ou sobre o endométrio, há uma possível prevenção para a doença de Alzheimer, aumenta a libido sexual e melhora a mucosa vaginal. Também são aconselhados a utilização do uso de lubrificantes artificiais vaginais artificias, que são uma boa alternativa para a resolução da secura vaginal.

    Envelhecimento Sexual Masculino

    Homem Andropausa

    Diversos estudos revelam que o homem de meia idade, passa por um período de transição semelhantes à crise física emocional da menopausa sofrida pela mulher. Os homens nesta nova etapa da vida estão também sujeitos a um conjunto de transformações físicas, biológicas, psicológicas e sociais que vão alterar os comportamentos dos mesmos.

    A compreensão do próprio envelhecimento, acarreta crises emocionais que resultam na mudança de algumas posturas. A maneira de estar na vida por parte do sexo masculino, de uma forma geral ocorre com uma grande dificuldade de lidar com as perdas, e na facilidade no conviver e nos buscar o poder e as conquistas. Lopes (1994).

    Procurando alcançar tudo e todas e tendo que deparar com a sua condição humana, no geral em torno dos quarenta anos, o homem já não consegue manter o mito da máquina masculina, admitindo o fracasso e a velhice. Muitos dos homens nesta idade trocam de parceiras, por outras muito mais novas, tentando mostrar a virilidade que de certa forma começa a se perder. Lopes (1994).

    O avançar da idade no homem, leva também à diminuição da produção da testosterona livre, que pode contribuir para a diminuição do desejo e da actividade sexual do homem. O envelhecimento origina também a perda de fibras sensoriais e nervosas periféricas, especulando-se a possibilidade que esta alteração possa levar a uma diminuição da sensibilidade nervosa aos estímulos eróticos.

    O testículo é para o homem, como o ovário para a mulher, apresentando essencialmente duas funções, nomeadamente a hormonal e reprodutiva. A diferença entre os homens e as mulheres está principalmente na segunda função, que o homem mantém ao longo de toda a sua vida, mesmo que na sua prática se verifique uma baixa fertilidade com aumento da idade. No entanto a baixa fertilidade está ligada à capacidade fértil dos espermatozóides.

    Alguns homens que se encontram na casa acima dos sessenta anos de idade, geralmente apresentam sintomas como fraqueza, cansaço, perda de apetite, tontura, palpitação, redução do desejo sexual, redução ou perda da potencia, irritabilidade e perda da capacidade de concentração.

    A sexualidade do homem idoso tem sido muito estudada ao longo dos tempos, desde o final das décadas de quarenta, quando Kinsey[2] identificou um declínio na actividade sexual, na capacidade efectiva e orgástica e na frequência de erecções matinais com o avançar da idade.

    Outros estudos de R. Schiavi e colaboradores, também foram realizadas sem o controle das doenças que poderiam estar afectando o desempenho sexual dos homens idosos, e as conclusões foram que:

    • A actividade e o interesse sexual diminuem com o avançar da idade.
    • O declínio progressivo da actividade sexual não é regra geral para todos os indivíduos, sendo que alguns apresentam aumento do interesse sexual.
    • O nível do comportamento e do interesse sexual é essencialmente o mesmo entre os indivíduos casados e não casados.
    • O fim das actividades sexuais do casal está relacionado principalmente com a falta de desejo e problema erectivos dos homens.
    • As experiências sexuais passadas, classe social factores objectivos e subjectivos da saúde contribuem para a variação do comportamento sexual.
    • Estes estudos, motivaram novos estudos e críticas de forma a melhor compreender o processo de andropausa no homem, e a importância da saúde na função sexual do homem idoso, e chegou-se à conclusão que o bem-estar físico tem um papel fundamental, no que se refere ao comportamento e função sexual.

    Os estudos do Psiquiatra e sexólogo Raul Schavi[3], incidem-se sobre o homem idoso saudável, não portador de doença física ou mental, chegando a várias conclusões:

    • O desejo sexual, a excitação sexual e actividade sexual diminuem com o avançar da idade.
    • A dificuldade de obtenção e manutenção de erecção aumenta.
    • Há maior ocorrência de uma ejaculação tardia.
    • O interesse, a responsabilidade à insinuação sexual, a frequência masturbatória e o grau de erecção na masturbação não sofrem alterações.

    Os mecanismos que contribuem para as mudanças do comportamento sexual do homem são multifactoriais, uma vez que dependem de um conjunto de factores que interligados vão determinar o desempenho do homem. Lopes (1994).

    Os indivíduos idosos que permanecem sexualmente activos, mesmo na presença de um decréscimo na capacidade erectora, estão sob a acção positiva de outras variáveis. Entre as mudanças ocorridas na fisiologia da resposta sexual masculina a partir dos quarenta e cinco anos de idade, as que se seguem são as mais notórias: Lopes (1994).

    • Tendo o desejo sexual, este já não é o mais capaz de produzir erecção concomitante ou imediata.
    • Em geral é preciso mais tempo e uma estimulação táctil mais directa para que o pénis fique erecto.
    • As erecções tendem a se menos firmes e só alcançam o máximo de rigidez por segundos antes da ejaculação.
    • Em geral a necessidade física de ejacular diminui, resultando m longos períodos de erecção antes da ejaculação.
    • Maior facilidade no controle ejaculatório.
    • A quantia de sémen e a intensidade da ejaculação são reduzidas.
    • Diminuição da quantidade de contracções da uretra durante a ejaculação.
    • Perda da erecção imediatamente após a ejaculação.
    • O período refractário fica mais longo de quinze minutos até uma semana.

    Muitos homens quando estão presentes mediante estes sintomas acreditam estar a ficar impotentes. O medo da impotência leva a ansiedade que pode inibir de facto a erecção, resultando numa disfunção eréctil psicogénica.

    Problemas sexuais no homem

    Nesta faixa etária de uma maneira geral os problemas ocorridos no homem são específicos, no entanto as representações sociais surgidas à volta dos mesmos, conduzem à formação de uma postura de incapacidade da sexualidade na velhice.

    é de convir que se por um lado existe perda genital, por outro pode - se ganhar mensalidade através da maturidade, das experiências de vida.

    Considerando a resposta sexual em três etapas fundamentais, nomeadamente sexo, excitação e orgasmo, e fácil de depreender e verificar uma maior fragilidade por parte do sexo masculino face à perturbação na fase de excitação, podendo ate levar à impotência. Um sujeito que apresenta dificuldade de erecção evita qualquer contacto, para não lidar com o fracasso. Para que o indivíduo consiga ultrapassar este problema o primeiro passo é procurar um especialista que realize um diagnóstico correcto. Podem existir diferentes causas para a disfunção eréctil, pode ser de origem física através de problemas de origem vascular, neurológicas ou hormonal. Os tratamentos vão ser definidos de acordo com os locais lesados.

    Se esta disfunção não for motivada por uma causa orgânica, que ocorre na maioria dos casos, esta é gerada pela condição emocional, devido ao fracasso nas actividades sexuais. Quando esta situação acontece, a melhor solução passa pelo diálogo entre o casal e da explicação por uma pessoa especializada, de forma que sejam esclarecidas todas as dúvidas do casal, ficando assente que se trata de uma situação normal. E sobretudo que esta deve ser menos valorizada, de forma a não provocar tanta ansiedade. Nos dias que correm já existem alguma soluções para estes problemas através da ingestão de alguns medicamentos que vão ajudar a performance masculina durante o acto sexual.

    Outro problema que não deve ser deixado de lado refere-se à dificuldade de controlar a sua ejaculação, o que é muitas vezes denominada de ejaculação precoce. Este problema tem um carácter muito importante na medida em que não dá prazer à sua companheira. As causas para esta situação são muitas vezes derivadas a uma aprendizagem que condicionou a velocidade de ejaculação. Ora para este caso também existe psicoterapia sexual no sentido de melhorar esta situação.

    Existem também problemas relacionados com a inibição do desejo sexual no homem que são muitas vezes apresentados no consultório.

    Quadros clínicos que implicam uma mudança na sexualidade

    Quando um idoso apresenta queixas no âmbito sexual, é importante verificar se estas estão associadas algumas doenças relacionadas com idade, ou se consiste apenas nas alterações características da passagem do tempo pelo indivíduo.

    No caso de doença, não será apenas a parte sexual a ser afectada, mas sim todas as outras acções gerais do organismo, que irão limitar todas as actividades de vida diárias.

    A debilitação motivada por doenças crónicas, incluindo a fadiga e problemas respiratórios, inibem ainda mais os comportamentos sexuais, que apenas as alterações neurológicas, endócrinas ou resultantes do consumo de medicamentos.

    O uso abusivo do álcool e tabaco são outra importante variável na suspensão da libido, assim como, na obtenção e manutenção da erecção. Também os excessos alimentares, obesidade podem originar a apatia e desinteresse sexual.

    As doenças reumáticas também influenciam a actividade sexual, uma vez que podem originar dor, desconforto e outros sintomas durante a actividade sexual. Estes sintomas ainda são mais acentuados com o aumento do sedentarismo dos indivíduos, originando excesso de peso e utilização de posturas inadequadas dos indivíduos.

    A utilização de drogas para o tratamento de outras doenças pode também constituir um factor que irá condicionar a actividade sexual do idoso. Na causa grande maioria os medicamentos caracterizam-se por acontecer componentes que irão condicionar a actividade sexual. No entanto os psicotrópicos, os anti - depressivos e os bloqueadores dos receptores de H2 são os três principais grupos de drogas capazes de alterar a resposta sexual nos indivíduos.

    Disfunção sexual de origem psíquica no idoso

    A causa mais frequente de disfunção sexual de origem psíquica é a depressão. Esta pode ser responsável por 10% dos casos de impotência no idoso (Kaiser, 1996). Como se tem visto, os medicamentos que se utilizam no tratamento desses transtornos podem contribuir para piorar a disfunção sexual, sobretudo aquelas substâncias que têm efeitos anticolinérgicos, responsáveis pela Disfunção Eréctil no homem e diminuição da libido na mulher.

    Outra patologia psíquica que pode resultar em alterações na função sexual é o Transtorno de Ansiedade, em qualquer de suas formas (Generalizada, Pânico, Fobia...). é também muito frequente, no homem, a ansiedade antecipatória a respeito de sua possível resposta sexual insuficiente para satisfazer sua companheira. Esse tipo de sentimento o leva a apresentar problemas de potência sexual de carácter psíquico com uma frequência assustadora.

    Em algumas circunstâncias são outros transtornos orgânicos que provocam a disfunção sexual, mas não por efeito directo desses transtornos sobre o aparelho sexual. Trata-se da diminuição ou anulação da actividade sexual por medo do agravamento das doenças orgânicas, como por exemplo, da angina, do enfarto, da falta de ar, etc.

    No campo das doenças psíquicas, a depressão e a demência, tanto pela sintomatologia apresentada como pelos efeitos indesejados na medicação, são as doenças que mais limitam a sexualidade no idoso.

    Na demência, outros problemas podem surgir, já que alguns casos, dada a afectação na capacidade de pensar e discernir, podem surgir comportamentos inapropriados, perturbadores para quem cuida. No campo sexual, a hiperssexualidade, associada a comportamentos sexualmente inapropriados, devem ser encarados como parte da doença e não como uma opção nova e consciente do doente.

    A abordagem a estes doentes deve ser compreensível, usando técnicas comportamentais que diminuam os estímulos, que distraiam o doente, não o repelindo ou isolando. Se necessário neste, como em todos os casos em que se justifique, deve procurar-se ajuda medica e respectiva intervenção farmacológica.

    Sexualidade e Afectos

    Nas últimas décadas tem-se notado por parte da sociedade uma preocupação, cada vez maior, com o bem-estar das pessoas idosas. No entanto, existem poucos estudos sobre a sexualidade destas. Esta tendência deve-se à crença de que os idosos têm pouco interesse no sexo e raramente têm relações sexuais. O modelo tradicional de sexualidade é um dos principais responsáveis pelos mitos ainda existentes em relação à sexualidade nesta faixa etária, uma vez que encarava o sexo como equivalente à reprodução. Assim, dado que a gravidez e o nascimento não fazem parte da experiência do idoso, acredita(va)-se que eles não queriam ou não precisavam de sexo e que perdiam a sua capacidade e desejos sexuais. Vários estudos a nível mundial têm provado o contrário.

    A sexualidade é mediatizada por factores biológicos, psicológicos, culturais e sociais. De entre todos eles, tem especial importância o afecto. Isto porque, a espécie humana tem, não só apetências sexuais instintivamente pré-programadas, como também, necessidades e capacidades afectivas que frequentemente se associam à actividade sexual. Esta, se se desenvolver no contexto de relações afectivas, especialmente se se tratar de formas de enamoramento forte, tende a ser mais rica e gratificante.

    Os factores que influenciam a mudança de comportamento sexual na regulação da sexualidade, faz-se pelo conjunto rituais familiares, pela distribuição das tarefas entre homens e mulheres, pela expressão do desejo e da ternura, pela gestão da intimidade entre os seus membros, pelo que é dito, pelos não ditos e inter-ditos, pelo clima, pelo tempo partilhado e pelo prazer de se estar junto. Corresponde à aprendizagem por impregnação, diferente conforme as idades, as dinâmicas da família e os contextos socioculturais (Santos, 2002:17). é preciso entender que o protagonismo da amizade, do amor e da companhia é a reciprocidade e a entrega sem limites. Só o amor traduzido em reciprocidade e fidelidade podem preencher e dar sentido a esta última etapa da nossa vida.

    Para o idoso, é imprescindível levar uma vida sexual saudável até ao final, acompanhado da pessoa amada, sentindo uma mão que o acaricie, que o atrai e o ama, sendo esta a melhor razão para continuar a viver. O amor e a sexualidade estão sempre a postos para serem redescobertos, aprendidos e revalorizados.

    à medida que a pessoa envelhece e as limitações biológicas aparecem, surge a necessidade de fazer um inventário da sua vida sexual e uma avaliação das relações sexuais mantidas até então. Obtendo como resultado a constatação de que o prazer não se reduz a uma parte do corpo, mas que todo ele participa. Parte do segredo está em descobrir que a expressão sexual não é uma questão de força, juventude, atletismo e produção, mas da própria capacidade sensual, que muitas vezes origina mais prazer, que as respostas genitais.

    A sexualidade humana implica duas linguagens complementares que nem sempre actuam juntas.

    A primeira linguagem é demasiado imperiosa, agressiva, dura, descontrolada, de exigências rápidas. (dos jovens). A segunda linguagem, empreende um jogo gratuito, lúdico e sem rodeios, com o único objectivo de transmitir felicidade e recebê-la. São pois as pessoas idosas que devem ensinar que o tacto, a carícia e a ternura, não estão vinculados ao processo de envelhecimento biológico e, com a idade em vez de diminuir e deteriorar-se, aumentam em qualidade e necessidade para, como o melhor remédio, permitir viver com prazer e alegria.

    As pessoas idosas têm todo o tempo para expressar o amor entre si e não estão pressionadas pelo relógio. Amam a qualidade, mais do que a quantidade de actos, amam a delicadeza dos gestos, e não a intensidade das descargas genitais dos jovens. Esta idade avançada é a idade dos grandes sentimentos sexuais e afectivos, já que, chega o momento em que a genitalidade integrada na sexualidade faz-se, primordialmente por sentimentos e afectos.

    Os idosos devem considerar a sexualidade na sua idade como um jogo relaxante, expansivo e ocupacional do tempo de que dispõem e ao qual têm direito. Por intermédio do jogo erótico livram-se do peso de todas as preocupações provenientes da vida real. Este jogo é um grande meio e uma das funções e significados da sexualidade humana, oferecendo às pessoas idosas a oportunidade de dar e receber da pessoa amada sem exigências de nenhum tipo.

    A sexualidade expressa em dois corpos idosos como fruto do amor, faz-se da doçura, da suavidade, da benignidade, apaziguamento, gratuitidade, indulgência, compaixão, delicadeza, vulnerabilidade, a ternura sobre dois corpos enrugados é a humanização do genital, criando um clima que permite vivê-la com suavidade e delicadeza, convertendo-se em fonte de identidade e auto-estima.

    A carícia através do tacto, leva a que o idoso sinta o seu corpo como sendo valioso, desejado, atraente e querido, numa sociedade que o abandona. Mediante a comunicação táctil, obtém-se uma comunicação plena, como prova de existência de uma comunicação do mais íntimo do ser. é uma sensação agradável que estimula as pessoas a aproximarem-se sem gerar de modo sistemático a necessidade de coito. Vai-se desencadeando em todo o corpo, indo parar ao cérebro, que avalia, e que depois aceita ou rejeita, a passagem à acção do contexto afectivo.

    O tacto tem uma intensa conotação psíquica. Não é uma simples sensação física, mas emoção e comunicação. Sente-se, ama-se, detesta-se e comunica-se por meio da pele. Por intermédio do tacto estabelece-se a primeira comunicação quando se nasce e é a melhor linguagem que resta para falar no processo de envelhecimento. O contacto cutâneo é simultaneamente uma emoção, uma comunicação, algo que proporciona segurança.

    Os estímulos cutâneos são essenciais e imprescindíveis para a auto-realização da pessoa idosa. Uma estimulação táctil cheia de ternura é uma necessidade primária para aceitar de forma activa o processo de envelhecimento e que deve ser satisfeita para que as pessoas idosas continuem a desenvolver-se como seres humanos saudáveis e equilibrados (psíquico e físico).

    A estimulação permanente da pele serve para manter o todo sensorial, motor e afectivo. Mediante o contacto físico, obtém-se a comunicação plena do mais íntimo do ser. Somente o tacto pode satisfazer o profundo anseio do ser humano de fugir da solidão.

    Os idosos podem ter diversas representações, significados e definições próprias sobre a sexualidade, podem encará-la como:

    • Uma forma de realização.
    • Uma forma de comunicação.
    • Uma fonte que dá e recebe prazer.
    • Uma forma de expressar amor.
    • Uma fonte de auto-estima.
    • Um canal de ternura.
    • Um manancial de carícia.
    • Uma porta de entrega á pessoa amada.
    • Uma ajuda á fidelidade.
    • A atracção no corpo do idoso não é comparável ao dos jovens.
    • O sentido lúdico é muito necessário a estas idades.
    • O desejo da pessoa amada não diminui com a idade.

    Homossexualismo no idoso

    A homossexualidade nos idosos é uma situação extremamente complicada tendo em vista que:

    • A sexualidade dos idosos heterossexuais já não é bem aceita pela sociedade,
    • A sexualidade dos homossexuais também não é bem aceita pela sociedade,
    • Pior situação é a que se apresenta para os idosos homossexuais.

    Os escassos estudos realizados nesta população mostram que o processo de envelhecimento produz as mesmas mudanças sexuais nos homossexuais que no idoso heterossexual. As suas relações e problemas físicos não diferem muito dos que se encontram nos heterossexuais de idade avançada (Lewis, 1998). As relações de longa duração são frequentes, mesmo que muitos dos homossexuais idosos não revelem publicamente a sua preferência sexual. Entretanto, os estudos mostram que nos idosos homossexuais atenua-se o medo a serem descobertos. Uma possível explicação seria que o medo anterior estivesse ligado à perda da segurança ocupacional e social, receios que tendem a desaparecer com a reforma ou estabilidade económica.

    A sexualidade nas instituições de terceira idade

    Actualmente, verifica-se outra situação que pode comprometer o bem-estar global do idoso e condicionar a maneira como vive e manifesta a sua sexualidade, que é a necessidade deste ser institucionalizado.

    A institucionalização surge por vezes da vontade do idoso que já sofreu algumas perdas e não tem condições para assegurar a sua permanência no domicílio, sendo neste último caso o recurso à instituição conotado negativamente, entendido como negligência de uma obrigação familiar.

    Muitas vezes, nas instituições para a terceira idade, os serviços são escassos, sem tradição, desenvolvidos em locais com pouca história e experiencia e desempenhados por técnicos sem formação específica na área da sexualidade e muitas vezes por indivíduos diferenciados tecnicamente na sua maior parte voluntários ou desempregados, limitando, por isso, a plena satisfação das necessidades afectivas e sexuais dos idosos.

    Por outro lado, a institucionalização, por constituir o acesso ao estabelecimento de novas relações afectiva que podem induzir ao redespertar da sexualidade, sendo cada vez mais frequente a ocorrência de casamentos entre idosos na mesma instituição.

    Assim, torna-se fundamental compreender as necessidades do idoso nas suas várias vertentes facultando-lhe espaço, autonomia e privacidade para vivencias e exprimir a sua sexualidade, assegurando a sua dignidade e singularidade como pessoa.

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