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Afetividade segundo wallon

AFETIVIDADE SEGUNDO WALLON

A afetividade, de acordo com Wallon, envolve varias manifestações, abrangendo os sentimentos (ordem psicológica), e as emoções (ordem biológica). Dessa forma, faz-se necessária a distinção dos termos emoção e afetividade, uma vez que, aparentemente, são usados como sinônimos. O primeiro é composto por manifestações afetivas de estados subjetivos, agregados a componentes orgânicos, como os sentimentos e os desejos; o segundo tem, de acordo com Wallon, uma concepção mais ampla que envolve uma gama maior de manifestações, englobando as dimensões psicológica e biológica, ou seja, os sentimentos e as próprias emoções (Wallon, apud Tassoni, 2000).

Wallon, em sua teoria psicogenética, busca compreender o psiquismo humano e, para tanto, volta sua atenção para a criança, pois, através dela, é possível ter acesso a gênese dos processos psíquicos, das funções intelectuais. Para Wallon, as emoções são reações organizadas e que exercem sob o comando do sistema nervoso central. Assim, o autor considera a afetividade como ponto de partida do desenvolvimento, mostrando que, desde o inicio, a primeira função do desenvolvimento infantil é afetiva (Galvão, 1995).

Para se compreender a psicogênese do ser humano é fundamental ressaltar que as funções intelectuais adquirem importância progressivamente, conforme amplia-se o processo de interação com o meio.

Nessas circunstancias, a afetividade tem papel de comunicação nos primeiros meses de vida, possibilitando contatos da criança com o mundo, tornando possível o acesso ao mundo simbólico, dando origem à atividade cognitiva e possibilitando seu avanço, "(...) pois são os desejos, intenções e motivos que vão mobilizar a criança na seleção de atividade e objetos." (Tassoni, 2000, p.11).

Para Wallon, a dimensão afetiva ocupa lugar central tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto na construção do conhecimento. O autor relaciona a psicogênese e a historia do individuo, demonstrando, assim, a estreita relação entre as interações humanas e a constituição da pessoa, propondo um estudo integrado do desenvolvimento humano, abrangendo afetividade e inteligência, definindo seu projeto teórico como uma elaboração da psicogênese da pessoa completa. "As influencias afetivas que rodeiam a criança desde o berço não podem deixar de exercer uma ação determinante na sua evolução mental." (Wallon, 1968, p.149).

Ainda segundo Wallon, no processo de desenvolvimento do ser humano, os aspectos biológicos e sociais caminham juntos. No inicio, os aspectos biológicos são determinantes e predominantes.

Porém, gradativamente, vão cedendo lugar para determinação social. Neste momento, a influencia do meio social torna-se muito mais importante na aquisição das funções psicológicas superiores, como por exemplo, a inteligência simbólica. Para a evolução das referidas funções psicológicas, é necessário que a cultura e a linguagem forneçam instrumentos pensamento, os quais Wallon denomina "alimento cultural" (Galvão, 1995). Acredita-se que o desenvolvimento biológico não é suficiente por si só, mesmo no seu mais alto nível de maturação, pois é preciso que paralelamente o sujeito se aproprie das condições oferecidas pelo meio, desenvolvendo-se socialmente. Neste âmbito, "(...) não é possível definir um limite terminal para o desenvolvimento da inteligência, nem tampouco da pessoa." ( Galvão, 1995, p.41).

Inserida no contexto de desenvolvimento do ser humano, a personalidade, em sua constituição, também depende da afetividade, combinada com outra função, a inteligência. Assim, o processo de personalização da criança depende do desenvolvimento dessas duas funções, as quais não surgem prontas nem permanecem estagnadas; é uma combinação em que cada uma tem seu papel definido e, quando estão em ação, proporcionam altos níveis de evolução na criança (Wallon, apud Almeida,1999).

No campo da educação, a afetividade se faz aliada no desenvolvimento do processo cognitivo, pois para sua evolução, ela depende dos avanços alcançados pela inteligência, assim como a inteligência, para suas conquistas, depende dos avanços da afetividade (Oliveira,1992).

DESENVOLVIMETO COGNITIVO, SEGUNDO VYGOTSKY

Vygotsky tem uma visão sócio-interacionista do desenvolvimento, com ênfase na importância do ambiente social para o desenvolvimento e a aprendizagem. De acordo com o autor, todas as atitudes cognitivas básicas do sujeito ocorrem de acordo com sua historia social e acabam se constituindo juntamente com o desenvolvimento histórico-social de sua comunidade.

Portanto, as habilidades cognitivas e as formas de estruturação do pensamento do sujeito não são determinadas por fatores pré-determinados, mas são resultados das atividades vivenciadas a partir dos hábitos sociais da cultura em que o sujeito se desenvolve.

A idéia de Vygotsky, é que a aprendizagem antecede o desenvolvimento através das intervenções realizadas, por pessoas ou fatores externos, que diversas formas possibilitam a mediação entre o sujeito (aluno) e o objeto de conhecimento, o que poderá acarretar em formas de aprendizagem significativas e contextualizadas.

Vygotsky defende a idéia de que a criança não pode ser reduzida a uma mera miniatura de adulto, pelo fato de sua mente funcionar de forma diferenciada. Tal compreensão traz implicações sobre como nós, professores, devemos compreender nossos alunos: da forma como eles são, (segundo as determinantes externas que os constituem), e não da forma como nós entendemos que deve ser a melhor, para compreendermos o mundo.

Alem disso, para Vygotsky, o aprendizado não se restringe meramente a um processo no qual o sujeito adquire informações e habilidades, uma vez que esse processo de aquisição envolve a interação desde sujeito com o "outro", segundo os acontecimentos reais do meio onde estão inseridos. Nessa perspectiva,

Segundo Vygotsky, o desenvolvimento do pensamento é determinado pela linguagem, pelos instrumentos lingüísticos do pensamento e pela experiência sócio-cultural da criança. Assim, torna-se clara a importância de darmos prioridade e a valorização necessária para o desenvolvimento da linguagem de nossas crianças, uma vez que a linguagem para Vygotsky é fundamental, pois irá possibilitar o desenvolvimento do pensamento do sujeito.

Segundo a abordagem sócio-genética do desenvolvimento da linguagem, Vygotsky observa que o pensamento da criança pequena, inicialmente, evolui sem a linguagem; assim como os seus primeiros balbucios são uma forma de comunicação sem pensamento. Entretanto, já nos primeiros meses, na fase pré-intelectual, a função social da fala já é aparente: a criança tenta atrair a atenção do adulto por meio de sons variados.

Ate por volta dos dois anos, a criança possui um pensamento pré-linguistico e uma linguagem pré-intelectual, mas a partir daí, eles se encontram e se unem, iniciando um novo tipo de organização do pensamento e da linguagem. Nesse momento, surge o pensamento verbal e a fala racional. A criança descobre que cada objeto tem seu nome e a fala começa a servir ao intelecto e os pensamentos começam a ser parcialmente verbalizados. Assim, a partir do momento em que a fala é internalizada, ela passa a ser um instrumento através do qual o homem pensa. Tal fato pode ser melhor explicado pela seguinte citação de Vygotsky:

Para Vygotsky ( 1991), o pensamento e a palavra não são ligados por um elo primário, mas ao longo da evolução do pensamento e da fala, tem inicio uma conexão entre ambos, que se modifica e se desenvolve. Segundo ele, o fato mais importante revelado pelo estudo genético do pensamento e da fala é que a relação entre ambos passa por varias mudanças. O progresso da fala não é paralelo ao progresso do pensamento. As curvas de crescimentos de ambos cruzam-se muitas vezes; podem atingir o mesmo ponto e correr lado a lado, e ate mesmo fundir-se por algum tempo, mas acabam se separando novamente. Diante disso....

Nesse contexto, vale ressaltar que toda apropriação de algum elemento cultural, no caso a fala, se dá em dois momentos distintos: primeiramente no âmbito externo e, posteriormente no âmbito interno do individuo.

Dessa forma, o papel da cultura continua sendo crucial no processo de desenvolvimento da linguagem, pois, a partir do momento em que, ao longo da historia, o homem começou a enfrentar situações de relacionamento coletivo, ele sentiu a necessidade de criar uma forma de comunicação, caracterizando a linguagem.

Anterior a tal estudo, eu não tinha o conhecimento de que todos os processos do individuo com o mundo ocorrem através da linguagem, e que no caso de fala, esta ocorre primeiramente através da forma egocêntrica, sendo posteriormente internalizada. Ou seja, a fala egocêntrica pode ser observada e aparentemente não tem um interlocutor, podendo ser facilmente observada em crianças; mas tal fala vai se transformando, pois torna-se internalizada.

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